Empresa envolvida em operação da PF no Acre pode ganhar licitação da Prefeitura de Manaus para construção de base do Samu
A obra vai custar aos cofres públicos quase R$ 8 milhões.
- Foto: reprodução
Notícias de Manaus– A empresa ‘Construtora Rio Negro Ltda’, que pertence a Gledson Cameli, irmão do governador do Acre, Gladson Cameli (PP) está habilitada e pode se tornar a vencedora da licitação comandada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que tem o objetivo de contratar uma empresa especializada para construir a base do Samu Central que vai custar aos cofres públicos quase R$ 8 milhões.
O processo licitatório é o 017/2023 e foi aberto em setembro deste ano. No último dia 20 foi realizada a sessão para receber as propostas e no Diário Oficial do dia 25 de setembro foi divulgada uma lista com os nomes das empresas que tiveram os documentos analisados e foram habilitadas a prosseguir em busca do contrato.
PUBLICIDADE
Dentre os oito nomes que foram aprovados, está a ‘Construtora Rio Negro’, que teve o nome envolvido na terceira fase da Operação ‘Ptolomeu’ deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, que envolve escândalos de corrupção contra o governador do Acre, parentes e funcionários do gestor.
No mês de junho, a PF informou que descobriu mensagens no computador do empresário e irmão do governador, que tratavam sobre um esquema da criação de uma empresa “laranja”. O aparelho foi apreendido pelos agentes em março, durante a terceira fase da operação.
Segundo a polícia um áudio confirma as suspeitas de que o chefe do Executivo do Acre usou familiares em um esquema que tinha a finalidade de desviar dinheiro público.
Na mensagem encontrada no celular de Gledson, ele conversa sobre um acordo para fazer uma compra de uma empresa em Brasília. O objetivo era fazer com que essa nova empresa substituísse a Construtora Rio Negro.
PUBLICIDADE
O áudio dizia: “Eu realmente também fico muito preocupado assim com a CRN (Construtora Rio Negro) estar dentro aí desse acordo, entendeu, mesmo que afastada né, mas com movimentação financeira, com recebimento, com repasse, isso me preocupa e muito”, afirma Gledson.
A mensagem segundo a PF continuava com o irmão do governador afirmando que essa seria uma opção mais segura. “A gente acha que o mais interessante, o mais seguro, seria realmente a gente colocar uma outra, outra pessoa que não tem nada a ver comigo”, falava o empresário.
Desde a primeira fase da operação que aconteceu no ano de 2021, Gladson Cameli nega as irregularidades e afirma à imprensa que confia que tudo será apurado e esclarecido.
Sobre a empresa
O Portal AM POST pesquisou no site da Receita Federal os dados da construtora que está inscrita sob o CNPJ nº 07.741.892/0001-20 e constatou que o único sócio-administrador que a empresa possui é justamente o Gledson Cameli.
PUBLICIDADE
A empresa possui capital social no valor de R$ 2,8 milhões e fica localizada na Avenida Curação, nº 3255, Nova Cidade, zona Norte de Manaus. A construtora tem várias atividades econômicas, entre elas está o serviço o qual deverá prestar para a Prefeitura de Manaus se ganhar o certame da Semsa.
O contrato
A licitação prevê o pagamento do valor de R$ 7.877.778,73 milhões à empresa vencedora, sendo que R$ 100 mil serão liberados para o início da obra.
Segundo o edital, o restante do valor total está previsto para o Plano Plurianual no ano de 2024.
Outras empresas que constam como habilitadas na publicação do Diário Oficial também já possuem algum contrato com a prefeitura da cidade, como a ‘Amazoncreto Construções Ltda’ que tem contratos com a Secretaria Municipal de Infraestrura (Seminf).
PUBLICIDADE
A ‘HSX Engenharia e Construções Ltda’ que é responsável pela reforma dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e a ‘MCA Construtora Ltda’ que ganhou a licitação para realizar as obras de adaptação do T6 no conjunto Viver Melhor, zona Norte.
Leia o edital completo:EDITAL BASE SAMU PREFEITURA DE MANAUS
Confira Ata:ATA – BASE SAMU
Resposta
A reportagem do Portal AM POST entrou em contato com a Semsa e a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) por meio de e-mail e questionou sobre ser duvidoso deixar que uma empresa envolvida em supostas práticas “laranjas” participe de um processo licitatório que direcionará à obra quase R$ 8 milhões dos cofres públicos e qual é o posicionamento da atual gestão em relação ao assunto. Porém, até o fechamento desta matéria não houve resposta.
Redação AM POST*
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos










