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Navios deixam de levar cargas a Manaus devido estiagem e fábricas correm risco de parar

Algumas empresas convocaram reuniões para discutir a adoção de férias coletivas nos próximos dias.

14/10/2023 às 15:19 - Atualizado em 14/10/2023 às 16:41

A estiagem severa no Amazonas ameaça parar a partir da próxima semana fábricas do Polo Industrial de Manaus, onde está concentrada a produção nacional de eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos e motocicletas. As condições do transporte de cargas pelo rio Amazonas e seus afluentes pioraram drasticamente nos últimos dias, provocando atrasos na entrega de materiais, assim como um acúmulo de produtos acabados nos estoques das fábricas.

Até aqui, a situação foi administrada com rearranjos de produção que vêm evitando a paralisação completa das linhas. Porém, com o estresse logístico aproximando-se do limite, sem a perspectiva de normalização da navegabilidade no curto prazo, algumas empresas convocaram reuniões para discutir a adoção de férias coletivas nos próximos dias.

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A informação foi confirmada tanto pela Eletros, a associação que representa fabricantes de eletrodomésticos, quanto pelo sindicato dos metalúrgicos da região.

As maiores embarcações não conseguem mais acessar o porto de Manaus devido à redução do nível de água em trechos críticos para abaixo da profundidade mínima necessária para a passagem com segurança dos navios de grande calado. A alternativa é transportar as cargas por balsas entre Manaus e o porto Vila do Conde, no município de Barcarena, no Pará, onde os navios estão transferindo a carga.

As balsas, a depender do peso carregado, conseguem passar por trechos com profundidade inferior a 2 metros – os navios precisam de pelo menos 8 metros. Só que as balsas transportam apenas 10% da carga de um navio e não conseguem desenvolver muita velocidade, em razão das restrições atuais de navegabilidade, o que eleva o tempo do percurso.

As soluções alternativas também implicam custo maior de transporte, dadas as despesas adicionais com a armazenagem dos materiais por mais tempo nos portos e as transferências imprevistas de contêineres. Conforme Augusto César Rocha, coordenador da comissão de logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), os contratempos elevaram entre 25% e 50%, a depender do contrato, o custo de frete na região.

Presidente da Eletros, Jorge Nascimento conta que a entidade já recebeu dos associados informações de que sindicatos foram chamados para discutir a adoção de férias coletivas nas fábricas Ele explica que as fábricas estão com dificuldades para receber insumos e também precisam equilibrar os estoques, que estão aumentando em seus pátios porque as mercadorias não estão sendo despachadas regularmente.

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Valdemir de Souza Santana, presidente do sindicato dos metalúrgicos do Amazonas, diz que, de fato, chegaram à entidade avisos sobre planos de paradas de produção não apenas na indústria de eletroeletrônicos, mas também na de motocicletas. “Algumas empresas só vão ter matérias-primas daqui 15 dias”, relata.

Black Friday

Por ora, está descartado na indústria o risco de faltarem produtos nas lojas durante a Black Friday, na última sexta-feira de novembro. Por outro lado, o rio precisa voltar a subir para assegurar a normalidade das entregas de Natal, que acontecem a partir do fim deste mês.

Como a estiagem no Norte do País é um fenômeno sazonal, a indústria antecipou a produção e as entregas nos últimos meses para evitar o desabastecimento. Ainda assim, a seca de 2023, agravada pelo El Niño, superou as expectativas e pode ser a maior da história, atingindo uma área ainda maior e prolongando-se até o fim do primeiro semestre de 2024.

Operadores logísticos alertaram clientes ao longo desta semana que não há previsão de quando os grandes navios voltarão a entrar em Manaus.

Comitê de crise

Segundo Rocha, do Cieam, uma reunião foi marcada para a próxima sexta-feira, 20, com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Também foram convidados representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a quem cabe executar a dragagem – isto é, a escavação do fundo dos rios. O objetivo é formar um comitê de crise.

O coordenador da comissão de logística do Cieam diz que um levantamento interno identificou algum impacto da estiagem na produção de apenas 4% das indústrias da região. O porcentual baixo mostra que a preparação do setor para a seca está, por enquanto, funcionando. Rocha pondera, no entanto, que os rios podem continuar perdendo nível e a situação piorar até o fim do mês que vem caso os trabalhos de dragagem não comecem logo. “Temos o início de um problema histórico. A preocupação é como a situação vai estar em 30 de novembro. Se garantir 8 metros [profundidade mínima para a passagem dos navios], a crise passa”, comenta Rocha.

Estadão Conteúdo

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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