Nove policiais são presos em Manaus por envolvimento com milícia
Os detidos são acusados de envolvimento em uma série de crimes como sequestro, roubo, extorsão e associação criminosa armada.
- Foto: Reprodução
Notícias de Manaus – Na manhã desta terça-feira (29), o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) deflagrou a Operação Militia, que resultou na prisão de nove agentes de segurança pública suspeitos de integrar uma milícia composta por policiais militares e civis. Os detidos são acusados de envolvimento em uma série de crimes como sequestro, roubo, extorsão e associação criminosa armada.
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Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra oito policiais militares e de prisão temporária contra um perito da Polícia Civil. Entre os militares detidos, quatro pertencem à Força Tática, unidade de elite da Polícia Militar do Amazonas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades.
De acordo com o promotor de Justiça Armando Gurgel, a milícia atuava em diferentes zonas de Manaus, sempre com modus operandi semelhante: simulavam operações policiais, utilizando balaclavas, coletes táticos, roupas de manga longa e armas longas. Os agentes encurralavam as vítimas em seus veículos, as retiravam à força e, com os rostos cobertos, as levavam para cativeiros clandestinos, onde exigiam resgates ou subtraíam valores em espécie, armas e até drogas, de acordo com o que fosse encontrado ou negociado.
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“A ideia desses agentes era a busca por vantagens econômicas ilícitas. Agiam como se estivessem em missões oficiais, mas na verdade estavam utilizando a estrutura e o poder do Estado para praticar crimes”, afirmou o promotor. A investigação teve início após a divulgação de vídeos de câmeras de segurança que registraram um dos sequestros praticados pelo grupo, e a partir dali, o MPAM começou a mapear as ações da quadrilha.
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Ainda segundo o promotor, o perfil das vítimas era, geralmente, de pessoas que tinham algum tipo de histórico ou suspeita de envolvimento com atividades criminosas, como tráfico de drogas ou roubo. Também foram identificados casos em que os alvos eram parentes de criminosos, o que reforça a tese de que o grupo agia com base em informações estratégicas e monitoramento prévio.
A ação da milícia evidencia o uso da farda e da credencial policial como fachada para atividades ilícitas. A quadrilha utilizava técnicas e equipamentos oficiais, o que tornava suas abordagens ainda mais convincentes. A presença de agentes da Força Tática no grupo chama a atenção pela audácia e pela estrutura logística do esquema criminoso.
O Comandante-Geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Marcos Klinger, comentou a operação e reforçou que a corporação não compactua com esse tipo de conduta. “Recebemos essa denúncia com muita seriedade. Esses policiais envolvidos não representam os mais de 8.500 profissionais que atuam de forma honesta e comprometida com a proteção da sociedade. A PMAM repudia qualquer ato ilícito praticado por seus integrantes”, declarou.
Já o coronel Corrêa Junior, também da Polícia Militar do Amazonas, informou que serão adotadas medidas disciplinares contra os envolvidos. “Será aberto processo administrativo disciplinar. Vamos apurar todas as transgressões à ética e à disciplina militar. Esses policiais devem ser desligados da corporação após o devido processo legal. Esse é um processo longo, mas necessário”, explicou.
A operação, que ainda está em andamento, representa mais um esforço das autoridades amazonenses para combater a corrupção dentro das forças de segurança e frear o avanço de grupos paramilitares que se utilizam da estrutura pública para alimentar esquemas criminosos.
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