Operação Face Oculta: R$ 390 mil em espécie e cheques de meio milhão são apreendidos em cofre do vereador Bual em Manaus
A ação apura um esquema de ‘rachadinha’ na CMM.
- Foto: Divulgação
Notícias de Manaus – O vereador Rosinaldo Bual (Agir) e sua chefe de gabinete, Luzia Seixas Barbosa, foram presos na manhã desta sexta-feira (3) durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A ação apura um esquema de rachadinha na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que teria desviado grandes quantias em dinheiro público.
A investigação aponta que o parlamentar exigia que servidores comissionados devolvessem até metade de seus salários. Para viabilizar o esquema, Bual mantinha entre 40 e 50 assessores nomeados, número considerado excessivo, incluindo pessoas que não desempenhavam funções compatíveis com os cargos.
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R$ 390 mil em espécie encontrados em cofre
Entre os itens apreendidos durante a operação, chamou a atenção a descoberta de R$ 390 mil em espécie guardados em um cofre, além de dois cheques que juntos ultrapassam R$ 500 mil. A apreensão ocorreu após os cofres encontrados na residência, no sítio e na casa da mãe do vereador serem abertos com auxílio do Corpo de Bombeiros, já que Bual se recusou a fornecer as senhas.
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Além do dinheiro e dos cheques, os investigadores localizaram documentos diversos, passaportes, celulares, computadores e notebooks, que agora passam por análise pericial.
Segundo o promotor Leonardo Tupinambá do Valle, coordenador do Gaeco, a quantia apreendida reforça os indícios de movimentações financeiras ilegais. “O dinheiro era repassado inicialmente para quatro ou cinco pessoas da equipe de confiança do vereador e, depois, revertido em benefício dele”, explicou em coletiva de imprensa.
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Bloqueio de R$ 2,5 milhões e afastamento do cargo
Como medida cautelar, a Justiça determinou o afastamento de Rosinaldo Bual das funções parlamentares por 120 dias, a quebra dos sigilos bancário e telemático, além do bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões em contas ligadas ao vereador. O objetivo é garantir que, em caso de condenação, os cofres públicos sejam ressarcidos.
Os crimes apurados são peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, delitos que podem resultar em penas de prisão e perda definitiva do mandato.
Próximos passos
De acordo com o MPAM, a investigação se concentra exclusivamente no mandato de Rosinaldo Bual, não havendo indícios de envolvimento de outros parlamentares. A expectativa é que a denúncia formal seja apresentada já na próxima semana, conforme prevê o Código de Processo Penal.
Enquanto isso, os valores apreendidos em espécie e os documentos coletados seguem em análise. O montante encontrado em dinheiro vivo — R$ 390 mil escondidos em um cofre — será incorporado ao processo como prova central da acusação.
Até o fechamento desta reportagem, nem o vereador nem sua defesa haviam se pronunciado sobre o caso.
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