Pai de santo denuncia apreensão de objetos sagrados e acusa PMs de intolerância religiosa em Manaus
Em pronunciamento gravado na delegacia, advogado e sacerdote afirma que instrumentos sagrados foram apreendidos durante culto de Tambor de Mina e anuncia medidas judiciais.

FOTO: Reprodução
Resumo:
- O que aconteceu: Líder religioso divulgou vídeo denunciando a atuação da Polícia Militar durante um culto em Manaus.
- Acusação: Pai Heriberto Sena Jr. afirma que houve intolerância religiosa e abuso de autoridade.
- Apreensão: Segundo ele, tambores e outros objetos sagrados foram recolhidos pelos policiais.
- Investigação: A comunidade pretende levar o caso aos órgãos competentes. A PM ainda não se manifestou.
Notícias de Manaus – Um vídeo gravado na madrugada deste domingo (29) mostra o advogado e sacerdote Heriberto dos Santos Sena Júnior, conhecido como Pai Heriberto Sena Jr., na sede do 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em Manaus, relatando uma ação da Polícia Militar durante um culto de Tambor de Mina.
Nas imagens, ele afirma que policiais interromperam a cerimônia religiosa, apreenderam instrumentos considerados sagrados e conduziram os envolvidos à delegacia para acompanhar a ocorrência.
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O que diz o líder religioso?
Durante o pronunciamento, Pai Heriberto afirma que o culto celebrava os 13 anos de seu encantado e acontecia em sua residência, sendo, segundo ele, a única festa realizada anualmente no local.
No vídeo, o sacerdote afirma que a ação da Polícia Militar violou o direito constitucional à liberdade religiosa e critica a apreensão dos objetos utilizados no ritual.
“Infelizmente, apreenderam nossos instrumentos sagrados. Temos uma garantia constitucional. O artigo 5º da Constituição versa sobre o direito à liberdade religiosa”, declarou.
Segundo ele, os policiais entraram no terreiro antes do encerramento da celebração e recolheram tambores, sinos, xequerês e cabaças considerados sagrados pelos praticantes da religião.
Em outro trecho do pronunciamento, Heriberto classifica a ação como um episódio de intolerância e racismo religioso.
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“Está acontecendo isso porque eu sou de uma religiosidade de matriz africana. É intolerância religiosa e racismo religioso”, afirmou.
O advogado também informou que pretende buscar providências junto aos órgãos competentes para questionar a atuação policial e responsabilizar os envolvidos.
Veja o vídeo:
O que aconteceu durante a ocorrência?
Segundo o relato do sacerdote, inicialmente um policial militar teria determinado o encerramento imediato da cerimônia, afirmando que entraria no imóvel caso o culto continuasse.
Ainda conforme Heriberto, um capitão da Polícia Militar foi acionado ao local, mas a negociação não avançou. Ele afirma que, após a chegada de várias viaturas, os instrumentos religiosos foram apreendidos e os participantes encaminhados ao 6º DIP.
Há posicionamento da Polícia Militar?
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Militar do Amazonas não havia divulgado nota oficial explicando os motivos da intervenção no templo religioso nem se manifestado sobre as acusações feitas pelo líder da comunidade.
O espaço permanece aberto para manifestação da corporação. Caso haja um posicionamento oficial, esta matéria será atualizada.
Contexto regional
O caso repercutiu nas redes sociais e mobilizou integrantes de religiões de matriz africana em Manaus. Representantes da comunidade religiosa informaram que pretendem acionar os órgãos competentes para apurar a atuação policial e garantir o respeito ao direito constitucional de liberdade de culto.
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