Pesquisa revela fungos resistentes em esgoto hospitalar de Manaus e acende alerta para risco à saúde pública
Pesquisa de Manaus mostra que esgoto pode funcionar como rota de disseminação de cepas antifúngicas.
- Foto: Divulgação
Notícias de Manaus – A circulação de fungos do gênero cândida em ambientes hospitalares e no esgoto clínico de Manaus foi objeto de um estudo inédito que conquistou o 1º lugar na 10ª Jornada Científica da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP). O trabalho, realizado pela estudante de Farmácia Patrícia dos Santos Souza, analisou a carga fúngica presente em efluentes de um hospital da capital e revelou dados preocupantes sobre a presença de espécies resistentes a antifúngicos.
A pesquisa, intitulada “Vigilância Epidemiológica de espécie de cândida em efluentes clínicos: avaliação da carga fúngica em um hospital da cidade de Manaus”, foi desenvolvida no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic). Sob orientação do pesquisador Walter Oliva Pinto Filho e coorientação da biomédica Vanessa de Sá Pinheiro, o estudo buscou compreender como esses microrganismos circulam nesses ambientes e quais riscos oferecem à saúde coletiva.
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Coleta e resultados
As amostras foram coletadas diretamente no esgoto hospitalar, analisadas com técnicas de microbiologia como microcultivo e auxonograma, que permitem identificar características estruturais e metabólicas das leveduras. Os resultados indicaram uma alta carga fúngica no efluente bruto, com predominância da Candida albicans, seguida por espécies não albicans, como C. tropicalis e C. parapsilosis.
O dado mais alarmante foi a constatação de indícios de resistência antifúngica. Segundo Patrícia, algumas dessas espécies podem sobreviver a medicamentos usados no tratamento clínico, tornando-se uma ameaça tanto para pacientes hospitalares quanto para a população em geral.
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Risco de disseminação
De acordo com a pesquisadora, os efluentes podem funcionar como rota de disseminação dessas cepas resistentes para o meio ambiente, perpetuando um ciclo de contaminação. “Esses microrganismos podem atingir a comunidade e até retornar ao ambiente hospitalar, representando risco para a saúde pública”, afirmou.
Os achados reforçam a necessidade de protocolos de monitoramento mais rigorosos e investimentos em tratamento adequado de resíduos hospitalares. A longo prazo, os dados podem subsidiar políticas públicas voltadas ao controle de infecções hospitalares e à prevenção de surtos.
Formação científica no Amazonas
A estudante destacou a importância do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), responsável pelo financiamento da bolsa por meio do Paic. “Graças ao incentivo, pude me dedicar com mais tranquilidade ao projeto e alcançar resultados relevantes para a saúde pública”, disse.
O Paic tem sido um dos principais programas de fomento científico no Amazonas, garantindo a participação de estudantes em projetos de alto impacto social e estimulando a formação de novos pesquisadores.
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