Presa na Operação Erga Omnes detalha à polícia civil suposta prática de “rachadinha” no gabinete do vereador Rodrigo Guedes em Manaus
Declarações fazem parte de investigação em andamento e ainda serão analisadas pelas autoridades.

Foto: Reprodução
Resumo
Depoimento prestado à Polícia Civil do Piauí cita suposta prática de “rachadinha” no gabinete do vereador Rodrigo Guedes, segundo relato da investigada Lucila Meireles Costa. Caso está sob apuração e não há conclusão das autoridades.
Notícias de Manaus – Um termo de interrogatório da Polícia Civil do Estado do Piauí, datado de 20 de fevereiro de 2026, trouxe à tona declarações da investigada Lucila Meireles Costa, suspeita de atuar como falsa advogada para acessar informações sigilosas da Justiça do Amazonas e repassá-las a integrantes do Comando Vermelho, que citam o gabinete do vereador Rodrigo Guedes em meio a apuração criminal.
A mulher foi presa no âmbito da Operação Erga Omnis, da Polícia Civil do Amazonas, que investiga o “núcleo político” da facção criminosa com infiltrações no poder público. A PC-AM descobriu que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de funções, para obter dados estratégicos em processos judiciais e uso de empresas de fachada nos setores de transporte e logística.
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O documento, identificado como Termo de Qualificação e Interrogatório nº 38485/2026, integra procedimento da investigação. Durante o interrogatório, Lucila fez referência a uma suposta prática conhecida como “rachadinha” no gabinete parlamentar. Segundo o relato registrado no documento, haveria procedimentos relacionados à Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), com apresentação de notas fiscais para reembolso e posterior saque dos valores em espécie.
“Perguntada se havia “rachadinha”, respondeu: Que, no gabinete de Rodrigo, havia prática relacionada à CEAP (Cota para Exercício da Atividade Parlamentar); que eram apresentadas notas fiscais para reembolso; que os valores eram sacados em espécie; que não repassava parte do seu salário, pois era comissionada com remuneração de R$ 2.500,00; que os valores seriam obtidos via reembolso da CEAP e não diretamente da folha de pagamento“, diz documento.
De acordo com o termo, a investigada afirmou que os recursos mencionados teriam origem no reembolso da cota parlamentar. As declarações constam como parte do depoimento e não configuram, até o momento, conclusão oficial das autoridades.
Investigação envolve suspeita de organização criminosa
O interrogatório integra investigação mais ampla que apura possível atuação de organização criminosa vinculada ao tráfico de drogas. Conforme o registro policial, há suspeita de cooperação entre investigados no Amazonas e em outros estados.
Lucila Meireles Costa foi presa no contexto dessa apuração, que ainda está em fase inicial. O procedimento segue sob responsabilidade das autoridades competentes, sem definição final sobre responsabilidades penais.
No depoimento, a investigada também declarou que não possui inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e que não exerce formalmente a advocacia. Apesar disso, relatou que elabora petições jurídicas que seriam assinadas por advogados regularmente inscritos.
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Token da OAB e menção a advogada de Manaus
Outro ponto registrado no termo de interrogatório diz respeito a um token da OAB apreendido em posse da investigada. Segundo seu relato, o dispositivo pertenceria a uma advogada da cidade de Manaus.
As informações fazem parte exclusivamente das declarações prestadas por Lucila à autoridade policial e permanecem sob verificação. Não há, até o momento, conclusão oficial sobre eventual irregularidade envolvendo o equipamento ou terceiros citados.
Caso segue sob análise
As declarações envolvendo o nome do vereador Rodrigo Guedes constam em procedimento investigativo e deverão ser analisadas pelos órgãos competentes, inclusive a Câmara Municipal de Manaus, dentro de suas atribuições institucionais.
Até o momento, trata-se de investigação em andamento, sem juízo definitivo sobre a veracidade das afirmações ou eventual configuração de irregularidades.
Outro lado
A reportagem procurou o vereador Rodrigo Guedes, por meio de sua assessoria de imprensa. Nas redes sociais ele pronunciou dizendo que isso que foi citado acontece com todos os parlamentares do Brasil e que a CEAP é muito vulnerável. “É a forma instituída por lei. Não é só com o Rodrigo Guedes que é assim, é com todos. Eu sou crítico a isso mas como é a forma legal assim que a faz também, no meu caso, 100% correta e honesta como não tem nenhuma denúncia contra mim. Não tem aqui nenhuma ilegalidade que a gente sacava em dinheiro, é a forma legal!”, disse.
Veja documento:


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