Primeira Marcha das Mães com Filhos Autistas do Amazonas cobra políticas públicas e apoio às famílias atípicas
Entre as principais demandas estão o atendimento especializado e contínuo, a ampliação dos serviços para adolescentes.
- Foto: reprodução
Notícias de Manaus – Manaus foi palco, na manhã desta segunda-feira (10), da Primeira Marcha das Mães com Filhos Autistas do Amazonas, organizada pelo Instituto Vida Abundante em parceria com a Rede de Proteção às Famílias Atípicas do Estado. A mobilização reuniu dezenas de mães, pais e responsáveis por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que caminharam para dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelas famílias e cobrar políticas públicas mais efetivas no atendimento à pessoa autista no Amazonas.
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A concentração começou por volta das 8h30, em frente à Prefeitura de Manaus, na Avenida Brasil, bairro Compensa. De lá, o grupo seguiu até o Palácio do Governo do Amazonas, onde foram entregues documentos oficiais com reivindicações direcionadas ao prefeito e ao governador.
Entre as principais demandas estão o atendimento especializado e contínuo, a ampliação dos serviços para adolescentes e adultos autistas, a prioridade no acesso a políticas públicas, além da criação de uma rede estruturada de apoio emocional e social às mães atípicas.
A manifestante Tatiana Ferreira Duarte, moradora do bairro Santo Antônio, destacou a falta de acolhimento às famílias.
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“A gente precisa ser ouvido. Muita gente fala que apoia a causa, mas na prática, só quem vive sabe o que passamos. Precisamos de suporte real”, afirmou.
Já Maria Débora dos Santos Cunha, do Monte das Oliveiras, alertou para a falta de atendimento a crianças acima de 11 anos.
“Meu filho tem 12 anos e não pode mais ser atendido no Kaique TEA. O autismo não acaba, ele continua na fase adulta. E essas crianças ficam sem assistência”, disse.
Além da falta de políticas públicas, as mães também relataram sofrimento emocional e sobrecarga psicológica.
“Tem muitas mães em colapso, sem apoio. A luta é muito grande. Nós também precisamos de ajuda”, desabafou Débora.
A indígena ticuna Rina Martins, vinda do Rio Uatumã, reforçou o desafio de cuidar de uma criança autista sem estrutura.
“Nós não temos vida própria, vivemos pelos nossos filhos. Precisamos de políticas que nos permitam trabalhar, estudar e cuidar deles com dignidade.”
Segundo o Instituto Vida Abundante, a marcha pretende se tornar um evento anual, simbolizando a luta por inclusão, respeito e direitos das famílias atípicas na Amazônia.
O documento entregue às autoridades pede prioridade no atendimento especializado, expansão dos centros de referência para todas as idades, políticas de inclusão educacional e profissional, e ações para reduzir o tempo de espera nos serviços públicos voltados a pessoas com TEA.
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