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Vereador Rosinaldo Bual é o único alvo da Operação Face Oculta que investiga esquema de “rachadinha” na CMM

A operação cumpriu dois mandados de prisão e 17 mandados de busca e apreensão, incluindo gabinete do vereador na CMM.

Por Natan Gaia

03/10/2025 às 11:32 - Atualizado em 03/10/2025 às 12:05

Notícias de Manaus – O vereador Rosinaldo Bual (Agir) e sua chefe de gabinete, Luzia Seixas Barbosa, foram presos na manhã desta sexta-feira (3) durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A ação apura a suspeita de um esquema de associação criminosa envolvendo práticas conhecidas como “rachadinha” na Câmara Municipal de Manaus (CMM) além dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A operação cumpriu dois mandados de prisão e 17 mandados de busca e apreensão, incluindo gabinete do vereador na CMM. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,5 milhões em contas bancárias ligadas ao vereador, valores que, segundo os investigadores, seriam provenientes do esquema.

Como funcionava o esquema de “rachadinha”

De acordo com o coordenador do Gaeco, Leonardo Tupinambá, o esquema envolvia a contratação de servidores comissionados para o gabinete do vereador, mas com a exigência de que até metade dos salários fosse devolvida para o parlamentar.

Ele (Bual) tinha uma alta rotatividade entre os funcionários que era contratados pelo gabinete. Nos nossos documentos identificamos 50 funcionários que até a metade dos salários deveriam ser retornados a ele. O dinheiro ia primeiramente para quatro a cinco pessoas da equipe dele e depois eram revertidos em benefício do parlamentar“, explicou Leonardo em coletiva de imprensa.

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A prática conhecida como “rachadinha” é considerada crime por configurar peculato, já que envolve apropriação de parte dos salários pagos com recursos públicos. Além disso, trata-se de uma fraude que desvia recursos do erário para benefício próprio, violando princípios constitucionais como moralidade e legalidade. O MPAM ainda apura indícios de que parte desse dinheiro era usado em agiotagem.

Bens e valores apreendidos

Durante a execução dos mandados, os agentes localizaram e apreenderam uma série de bens e documentos que reforçam a suspeita de movimentações ilícitas. Entre os materiais estão:

Três cofres, cujo conteúdo ainda será periciado;

Dois cheques no valor de R$ 500 mil cada, emitidos em favor de um dos investigados;

Uma expressiva quantia em dinheiro vivo, que precisou ser contada com auxílio de máquina;

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Uma arma de fogo, que resultou em flagrante contra o vereador por posse irregular de arma de uso permitido.

Segundo o Gaeco, a grande quantidade de recursos apreendidos demonstra a proporção do esquema.

“Nós pedimos o bloqueio de R$2,5 milhões da conta do parlamentar [dinheiro que fazia parte do esquema] mas hoje nós apreendemos também um valor significativo, precisamos inclusive de uma máquina para contar. […] A operação é basicamente em relação ao salário dele e uma outra linha é que ele utilizaria esses recursos para agiotagem”, disse o coordenador.

Papel da chefe de gabinete

A chefe de gabinete do vereador, Luzia Seixas Barbosa, também foi presa por participação direta na articulação do esquema. Segundo o MPAM, ela era responsável por organizar o recolhimento e a distribuição dos valores desviados dos salários dos assessores, atuando como peça-chave para garantir o funcionamento da prática ilícita.

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Operação voltada exclusivamente a Rosinaldo Bual

Durante coletiva de imprensa, o coordenador Leonardo Tupinambá esclareceu que, até o momento, as investigações se concentram exclusivamente no mandato de Rosinaldo Bual, sem indícios de envolvimento de outros parlamentares da Câmara Municipal de Manaus.

“O que apuramos diz respeito apenas ao atual mandato e especificamente ao vereador Bual. Não encontramos elementos que apontem para a participação de outros parlamentares”, afirmou.

Procedimentos

Após a prisão, Bual foi conduzido ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Ele deve responder não apenas pelos crimes relacionados à operação, mas também pelo flagrante de posse irregular de arma de fogo.

Leia mais: Veja o momento em que Vereador Rosinaldo Bual chega em delegacia após ser preso em operação do MP-AM

O Ministério Público seguirá analisando os materiais apreendidos, incluindo os cofres e os cheques milionários, além de rastrear movimentações bancárias ligadas ao parlamentar e à sua equipe. A expectativa é que novas informações sejam reveladas nos próximos dias, podendo ampliar o alcance da investigação.

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Até o fechamento desta reportagem, Rosinaldo Bual e sua defesa não haviam se pronunciado sobre as acusações. O caso segue sendo acompanhado de perto pela sociedade e deve gerar intensos desdobramentos políticos na capital amazonense.

Repercussão na Câmara Municipal de Manaus

A Câmara Municipal de Manaus confirmou que os mandados de busca foram cumpridos dentro do gabinete de Bual e declarou, em nota oficial, que mantém “compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com os órgãos de controle e fiscalização”.

Leia a nota completa:

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) informa que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), esteve na Casa Legislativa na manhã desta sexta-feira, 3 de outubro, para a realização de diligências nas dependências de um gabinete parlamentar.

No âmbito de suas atribuições, a CMM reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com os órgãos de controle e fiscalização.

A CMM seguirá à disposição das autoridades competentes.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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