Árvores gigantes da Amazônia podem ajudar cientistas a combater mudanças climáticas
Especialistas reforçam importância da proteção dessas espécies.

Crédito: Fernando Sette
Notícias de Meio Ambiente – Árvores gigantes da Amazônia desempenham papel crucial na regulação do clima, na distribuição de chuvas e na preservação da história ecológica da floresta. Entre elas se destaca o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), capaz de ultrapassar 80 metros de altura e viver por até 600 anos.
Em 2019, pesquisadores encontraram os primeiros exemplares, e em 2022 foi registrada a maior árvore do Brasil, com 88,5 metros de altura, em Almeirim (PA) — equivalente a um prédio de 30 andares. Ao todo, já são 20 árvores com mais de 70 metros identificadas entre o Pará e o Amapá.
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Segundo Diego Armando Silva, pesquisador do Instituto Federal do Amapá (IFAP), esses gigantes podem absorver até o dobro de carbono em comparação a árvores amazônicas médias. Uma única árvore pode concentrar cerca de 80% da biomassa de um hectare. Estimativas indicam idade média entre 400 e 500 anos.
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Apesar da importância, muitas dessas árvores estão fora de áreas de conservação e sofrem pressão do desmatamento, garimpo e grilagem. No Pará, elas estavam originalmente em área de manejo florestal, onde a exploração madeireira é permitida.
Para ampliar a proteção, foi criado em setembro de 2024 o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), com 560 hectares de preservação integral. A medida busca proteger a maior árvore do Brasil e outras descobertas futuras.
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Ângela Kuczach, diretora da Rede Pró-Unidades de Conservação, alerta que a proteção ainda é insuficiente:
“Podemos ter árvores gigantes ainda não descobertas que já estão ameaçadas, por estarem fora de unidades de conservação.”
O governo do Pará iniciou a formação do conselho gestor do Pagam, que será responsável pelo plano de manejo e pela definição de atividades de pesquisa e visitação. Para Silva, a prioridade é avançar no monitoramento científico:
“Precisamos de estrutura mínima para receber pesquisadores e garantir estudos que ajudem a compreender melhor o papel dessas árvores no clima global.”
Enquanto isso, organizações ambientais seguem pressionando para que os gigantes da Amazônia recebam maior reconhecimento e proteção, fundamentais no combate às mudanças climáticas.
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