Desmatamento na Amazônia cai 10%, mas aumenta 83% no Cerrado em relação ao ano passado, revela Ministério do Meio Ambiente
Além disso, 77% do desmatamento no bioma ocorre em propriedades registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
- Foto: Divulgação
De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o desmatamento na floresta amazônica teve uma redução de 10% em maio, em comparação com o mesmo mês do ano passado. No entanto, o desmatamento no Cerrado aumentou significativamente, com um crescimento de 83% em relação a 2022.
No período acumulado de janeiro a maio, o desmatamento na Amazônia apresentou uma queda de 31%, enquanto no Cerrado houve um aumento de 35% em comparação com o ano anterior, conforme relatado pelo Ministério com base nos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
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Diante desse cenário, o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, anunciou que o ministério pretende lançar um novo plano de combate ao desmatamento no Cerrado até setembro, a fim de conter o aumento alarmante. A expectativa é reverter a tendência de alta nos próximos meses.
Capobianco ressaltou a necessidade de uma ação intensa do governo diante dos números preocupantes do desmatamento no Cerrado. O plano de combate ao desmatamento no bioma, chamado PCCCerrado, está sendo elaborado com urgência para lançamento em setembro, com a intenção de mobilizar equipes para atuarem no terreno.
Os dados revelados pelo MMA destacam que 24 municípios respondem por 50% de todo o desmatamento no Cerrado, sendo 10 deles localizados na Bahia, incluindo São Desidério e Jaborandi, líder e vice-líder do ranking, respectivamente. Essas cidades situam-se no oeste do estado, onde está ocorrendo um boom agrícola com o aumento do cultivo de soja.
Além disso, 77% do desmatamento no bioma ocorre em propriedades registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), e estima-se que mais da metade da supressão de florestas nativas tenha autorização dos órgãos ambientais estaduais. Capobianco ressaltou que, no Cerrado, a exigência de reserva legal nas propriedades é de apenas 35%, enquanto na Amazônia é de 80%.
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O MMA solicitou aos estados o detalhamento das autorizações de desmatamento, mas não obteve resposta. Agora, o Ibama, com poder legal para tal, exigirá esses dados para verificar se os requisitos legais estão sendo cumpridos.
Uma das estratégias propostas é separar a divulgação de dados entre desmatamento legal e ilegal. O combate ao desmatamento ilegal é considerado uma prioridade, envolvendo medidas de comando e controle. Já em relação ao desmatamento autorizado, serão adotados instrumentos econômicos para incentivar a redução, garantindo o cumprimento da lei.
André Lima, secretário de controle do Desmatamento, ressaltou que, com a previsão de reserva de 35%, é possível autorizar o desmatamento de até 40 milhões de hectares de vegetação nativa na região do Cerrado. Ele alertou que esse nível de desmatamento acarreta um potencial de emissões de cerca de 5 milhões de toneladas de CO2 apenas no Cerrado, exigindo uma resposta efetiva.
Capobianco destacou que o desmatamento em larga escala pode ter implicações econômicas negativas para o país, afetando tanto a produção quanto os mercados internacionais. Ele ressaltou a importância de uma discussão com a sociedade sobre a conservação dos ativos naturais, que beneficia não apenas o agronegócio, mas também é fundamental para garantir a manutenção dos mercados de exportação.
Redação AM POST
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