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Meio Ambiente

Estudo aponta que mudanças climáticas podem alterar calendário escolar no Brasil

Mais da metade dos estudantes do ensino médio estão em escolas vulneráveis a enchentes e secas.

Por Hugo Guimarães

18/07/2025 às 10:50 - Atualizado em 05/08/2025 às 01:09

Foto: Reprodução

Notícias de Meio Ambiente – As mudanças climáticas podem comprometer seriamente o calendário escolar no Brasil. É o que indica um estudo apresentado durante a 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Recife. A pesquisa, desenvolvida por cientistas do Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa (ONSEADAdapta), revela que 57,6% dos estudantes do ensino médio — cerca de 15 milhões — frequentam escolas com baixa ou mínima resiliência a enchentes, enquanto 33,8% (8 milhões) estudam em instituições não preparadas para a seca.

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A análise utilizou o Índice de Segurança Hídrica (ISH) e mapas georreferenciados para cruzar os dados escolares com os riscos hídricos. Os resultados indicam que quase 5 milhões de estudantes estão em áreas com resiliência mínima a inundações e cerca de 1 milhão em locais com mínima resistência à seca.

De acordo com Eduardo Mario Mendiondo, professor da USP e um dos autores do estudo, mais de 1 milhão de estudantes perderam aulas em 2024 por conta de eventos climáticos extremos. Ele explica que, na Amazônia, por exemplo, a seca severa inviabiliza a navegação nos rios Trombetas e Madeira, dificultando o acesso de alunos às escolas. Para contornar o problema, professores têm recorrido à “resiliência pedagógica”, flexibilizando o currículo entre julho e novembro, período mais seco na região.

Leia mais: Verão amazônico intensifica calor e seca em Manaus até outubro

As adaptações, no entanto, não são suficientes para conter os danos. O impacto das mudanças no regime hídrico também gera insegurança alimentar e financeira em comunidades ribeirinhas, levando escolas a arrecadar recursos para manter aulas, fornecer materiais e pagar funcionários.

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Durante a mesa-redonda, o pesquisador José Marengo, do Cemaden, alertou para a gravidade das secas, consideradas eventos não apenas meteorológicos, mas também socioeconômicos. Segundo ele, os extremos vêm se intensificando, com chuvas concentradas em poucos dias seguidas de longos períodos secos. “A onda de calor na Europa é reflexo do mesmo fenômeno que atinge o Brasil”, afirmou.

Além da educação, os impactos atingem a saúde indígena. Sandra Hacon, pesquisadora da Fiocruz, destacou que as secas de 2023 e 2024 causaram ansiedade e medo em comunidades amazônicas, que passaram a evitar o consumo da água dos rios devido à poluição gerada pelas queimadas. “Isso pode levar à desidratação grave”, alertou.

Diante do cenário, os especialistas defendem que a gestão de riscos de desastres seja uma premissa obrigatória nas políticas educacionais, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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