América Latina fica em alerta com movimentação militar dos EUA rumo à Venezuela
Maduro diz que país tem como se defender de possível invasão.
- Foto: reprodução
Notícias do Mundo – As recentes ameaças dos Estados Unidos de enviar militares à Venezuela elevaram o nível de tensão política e militar na América Latina e no Caribe, reacendendo o temor de uma intervenção direta de uma potência estrangeira, algo que não ocorre desde a invasão do Panamá pelos EUA, em 1989. Segundo reportagens da Reuters e da CNN, baseadas em fontes não identificadas do Pentágono, a Casa Branca planejava enviar cerca de 4 mil militares em três porta-aviões para a costa venezuelana, sob o argumento oficial de combater o narcotráfico.
A possibilidade de ação militar norte-americana provocou reação imediata de líderes da região. Governos do México, da Colômbia e do Brasil criticaram veementemente a medida, alertando para os riscos de uma escalada de conflitos no continente. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que seu país possui condições de se defender e enfatizou que qualquer intervenção estrangeira teria repercussões em toda a região.
No Brasil, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, declarou em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (20), que acompanha com preocupação o deslocamento de navios de guerra norte-americanos rumo à Venezuela. “Vejo com preocupação o deslocamento de barcos de guerra americanos para a Venezuela. Acho que a não intervenção é fundamental”, afirmou Amorim, reforçando a postura diplomática brasileira de não reconhecer imposições externas sobre governos soberanos da América Latina.
“A não intervenção é fundamental, um princípio basilar da política externa brasileira. Uma coisa histórica. Até durante o período de governo militar, o Brasil nunca aceitou a ideia de intervenções externas. E nos preocupa muito a presença de barcos de guerra muito próximos à costa venezuelana, sobretudo com [as recentes] declarações”, disse, ponderando que o crime organizado deve sim ser combatido, “mas com a cooperação dos países, e não com intervenções unilaterais”.
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Apesar do deslocamento de militares para a costa venezuelana ainda não ter sido confirmada oficialmente por Washington, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à imprensa, nesta terça-feira (19), que Trump está preparado “para usar todo o poder americano” contra a entrada de drogas no país.
“O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela. É um cartel de narcoterrorismo. E Maduro, na visão deste governo, não é um presidente legítimo. Ele é um chefe fugitivo desse cartel que foi indiciado nos Estados Unidos por tráfico de drogas para o país”, comentou, ao ser questionada sobre o envio de militares à costa venezuelana.
No dia 8 de agosto, o jornal americano The New York Times publicou matéria informando, com base em fontes não identificadas, que o presidente Donald Trump autorizou o Pentágono a realizar operações militares em países latino-americanos para “combater o narcotráfico”.
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A notícia tem sido interpretada como autorização para interferências diretas dos Estados Unidos na América Latina.
Também no início deste mês, o governo dos EUA aumentou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões o valor da recompensa por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro, acusado pela Casa Branca de liderar o suposto grupo narcotraficante Cartel de los Soles.
Maduro diz que nenhum império tocará na Venezuela
A Venezuela nega a existência do Cartel de los Soles e diz que a acusação é apenas um pretexto para intervir no país. O governo Maduro tem informado que pode resistir a qualquer tentativa de invasão e classificou as ameaças de “bizarras e absurdas de um império em declínio”.
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“Defendemos nossos mares, nossos céus e nossas terras. Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela ou da América do Sul. Nunca mais pisarão com seus passos insolentes na terra de Bolívar”, afirmou o presidente venezuelano.
Maduro acrescentou que convocará até 4,5 milhões de milicianos para proteger a nação em parceria com as Forças Armadas. Os milicianos são grupos civis leais ao governo da Venezuela que recebem armas e treinamento militar.
Venezuela não é páreo para os EUA
Apesar das Forças Armadas da Venezuela terem equipamentos relativamente bons para as condições socioeconômicas do país, elas não seriam capazes de dissuadir uma invasão ou ataque dos Estados Unidos, na avaliação do especialista Rodolfo Queiroz Laterza.
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“São forças destinadas a uma defesa nacional bastante limitada. Portanto, a capacidade de dissuasão das forças armadas latino-americanas é pífia perante os Estados Unidos. Inclusive, isso se aplica ao Brasil, a qual uma ala das Forças Armadas ainda quer dependência estrutural em relação aos Estados Unidos, o que é um erro”, disse o historiador e pesquisador de conflitos armados e de geopolítica delegado Rodolfo Queiroz Laterza.
Colômbia e México
As ameaças dos EUA à Venezuela também foram repudiadas pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, que declarou que os países da região podem colaborar no combate ao narcotráfico, mas não podem aceitar intervenções externas que violem a soberania nacional.
Essa situação serviu ainda aproximar Caracas de Bogotá após os atritos entre o presidente colombiano Gustavo Petro e Nicolás Maduro, causados pelas acusações de fraude eleitoral e perseguição política na Venezuela.
“Os americanos estão perdidos se acham que invadir a Venezuela resolverá seus problemas e, com isso, arrastam a Venezuela para a situação similar à Síria, com o problema adicional de arrastar a Colômbia junto”, disse Petro em uma reunião de gabinete transmitida para todo o país.

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