Brasil triplica exportações de terras raras para a China e acende alerta sobre exploração sem industrialização
Relatório aponta aumento nas vendas de minerais estratégicos.

Foto: Kevin Frayer/Getty Images/Ricardo Stucker/Flickr
Notícias do Mundo – O Brasil triplicou as exportações de terras raras para a China no primeiro semestre de 2025, segundo relatório divulgado neste sábado (27) pelo Conselho Empresarial China-Brasil (CBBC). Embora o dado represente um crescimento expressivo no comércio bilateral, especialistas alertam para o modelo adotado pelo país: mais uma vez, o Brasil repete a lógica de exportar matéria-prima sem investir em beneficiamento ou valor agregado.
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As chamadas terras raras são 17 elementos químicos essenciais à indústria de alta tecnologia, como motores elétricos, turbinas eólicas, baterias recarregáveis, celulares, telas de LED, fibras ópticas, equipamentos médicos e sistemas de defesa. Na cadeia global, são considerados estratégicos para a soberania tecnológica e energética dos países.
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Apesar de deter grandes reservas desses minerais — com destaque para estados como Amazonas, Goiás e Minas Gerais — o Brasil tem atuado majoritariamente como fornecedor bruto desses insumos. A China, maior processadora mundial de terras raras, continua dominando a etapa de refino e industrialização, o que aprofunda a dependência brasileira de exportar recursos primários e importar produtos finalizados com alto valor agregado.
“Estamos entregando ativos estratégicos sem retorno tecnológico ou industrial. Essa política nos deixa vulneráveis e reforça nosso papel subordinado na economia global”, avalia o geólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), José Fernando Lima. “Ao invés de desenvolver uma indústria nacional de terras raras, o Brasil continua vendendo seu futuro a preço de commodity.”
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A alta nas exportações ocorre num momento em que a China busca diversificar seus fornecedores diante de tensões comerciais e da crescente demanda interna. Em vez de aproveitar a oportunidade para desenvolver uma cadeia produtiva própria, o Brasil tem ampliado a exploração acelerada, muitas vezes sem a devida preocupação ambiental e sem garantir benefícios para a população local.
No Congresso, alguns parlamentares já defendem a criação de um marco regulatório para impedir que os minerais estratégicos brasileiros sejam escoados sem critérios. “Precisamos de soberania mineral. O que está acontecendo é uma corrida por nossas riquezas, enquanto ficamos apenas com os buracos e a promessa de progresso que nunca chega”, afirmou a deputada federal Mariana Duarte (PSOL-SP), em pronunciamento recente.
O governo federal, até o momento, não apresentou um plano concreto para agregar valor à produção nacional de terras raras, o que amplia as críticas sobre a condução da política mineral do país. Caso o ritmo atual continue, o Brasil poderá até bater recordes de exportação em 2025 — mas à custa de um modelo extrativista que pouco contribui para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país.
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