China acusa EUA de dívida trilionária: “Emprestamos dinheiro”
Estados Unidos e China trocam farpas e travam guerra comercial.
- Foto: Reprodução
Notícias do Mundo – Em meio à escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o governo chinês elevou o tom nesta quarta-feira (9) ao comparar a atual guerra tarifária à crise econômica que marcou os anos 1930. A referência foi feita em uma postagem oficial da Embaixada da China nos EUA, que associou as medidas do presidente Donald Trump à Lei Tarifária Smoot-Hawley, conhecida por ter agravado a Grande Depressão. “A Lei de Tarifas Smoot-Hawley de 1930 alimentou a Grande Depressão. Hoje, as Tarifas Recíprocas correm o risco de abrir novamente a Caixa de Pandora”, afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning.
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A crítica veio em resposta à nova rodada de aumentos de tarifas promovida pelos EUA sobre produtos chineses, que agora chegam a 125%. A medida é parte da política de “tarifas recíprocas” anunciada por Trump na semana passada e que já provocou reações severas de Pequim. Como retaliação, a China elevou suas próprias tarifas sobre produtos norte-americanos para até 84%, aprofundando o impasse comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Durante um jantar do Comitê Nacional Republicano para o Congresso, na noite de terça-feira (8), Trump justificou as novas tarifas com um ataque direto ao histórico comercial da China. “Eles sempre nos passaram a perna a torto e a direito. Vamos agora passar a perna neles”, declarou. O presidente também acusou a China de manipular sua moeda para neutralizar os efeitos das tarifas. “Tem que dar o braço a torcer. Eles estão manipulando a moeda hoje como uma forma de compensar as tarifas”, disse.
A retórica de Trump foi intensificada com declarações de cunho provocativo. “Esses países estão nos ligando, puxando o meu saco. Eles estão doidos para fazer um acordo. ‘Por favor, por favor, senhor, me deixe fazer um acordo’”, afirmou o presidente, usando a expressão em inglês “kissing my ass”, cuja tradução literal é “beijando o meu traseiro”, mas que no contexto significa “bajulando” ou “puxando o saco”.
A resposta chinesa foi imediata. O Ministério do Comércio reafirmou a disposição de manter a confrontação tarifária enquanto for necessário. “A China tem vontade firme e meios abundantes, e contra-atacará resolutamente até o fim”, disse um porta-voz. O Ministério das Relações Exteriores também acusou Washington de “atos hegemônicos e de bullying”, ressaltando que o país asiático jamais aceitará “tais atos intimidatórios”.
A comparação com a Lei Smoot-Hawley não é apenas simbólica. A legislação de 1930, aprovada nos EUA para proteger a agricultura e a indústria local, acabou desencadeando uma onda de retaliações internacionais. O comércio global desabou e a crise econômica se agravou. Segundo o próprio Departamento de Estado norte-americano, “um projeto de lei destinado a fornecer alívio para fazendeiros se tornou um meio de aumentar tarifas em todos os setores da economia”.
Com o comércio internacional novamente ameaçado por disputas protecionistas, analistas alertam para os riscos de uma desaceleração global. Ainda que Trump acredite que as tarifas forçarão a China a negociar, Pequim mantém firme sua posição. “A China não deseja travar uma guerra comercial, mas o governo chinês jamais ficará de braços cruzados vendo os direitos e interesses legítimos do povo serem prejudicados e violados”, reiterou o Ministério do Comércio.
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