Com votos a serem contados e sem resultado claro, Trump declara vitória e Biden expressa confiança

Trump tem repetido, sem apresentar provas, que o aumento na votação pelo correio levará a um aumento na fraude.

Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou vitória na eleição presidencial norte-americana do país, apesar de os resultados ainda não estarem claros e dos milhões de votos ainda não apurados, depois de seu rival, o democrata Joe Biden, afirmar confiança em vencer uma disputa que não estará resolvida até que alguns Estados completem a contagem dos votos nas próximas horas ou dias.

No início desta quarta, o resultado dependia da apuração de alguns Estados e tanto Trump, de 74 anos, quanto Biden, de 77, tinham caminhos possíveis para chegarem aos 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para vencer o pleito.

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Pouco depois de Biden dizer que estava confiante de que venceria a eleição uma vez que todos os votos tivessem sido contados, Trump apareceu na Casa Branca para declarar vitória e dizer que seus advogados levarão a eleição para a Suprema Corte, sem especificar o que eles alegariam.

“Estamos nos preparando para vencer esta eleição. Francamente, nós vencemos esta eleição”, disse Trump após alegar que venceu em vários Estados cruciais onde a apuração ainda estava em andamento.

“Esta é uma grande fraude contra nossa nação. Queremos que a lei seja usada de maneira apropriada. Então nós iremos à Suprema Corte. Queremos que toda votação pare”, afirmou ele, sem apresentar qualquer evidência que respaldasse sua alegação.

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As urnas fecharam e a votação terminou ao redor do país, mas as leis eleitorais dos EUA determinam que todos os votos devem ser contados. Mais votos precisam ser apurados neste ano do que no passado, devido à grande votação por correio em meio à pandemia de coronavírus.

As esperanças de Biden repousam em vitórias nos Estados do chamado “muro azul” –Michigan, Wisconsin e Pensilvânia– que levaram Trump, de 74 anos, para a Casa Branca em 2016. Biden tem uma pequena vantagem em Wisconsin, enquanto Trump lidera em Michigan e na Pensilvânia, com os votos por correio, que geralmente são inclinados para os democratas, ainda não apurados.

Vencer nesses três Estados daria a vitória a Biden. A Fox News projetou que o democrata venceu no Arizona, Estado que foi para Trump em 2016, o que dá a Biden mais opções.

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Mesmo sem a Pensilvânia, se Biden vencer no Arizona, Michigan e Wisconsin, além de sua projetada vitória em um distrito de Nebraska, que distribui os votos no Colégio Eleitoral por distrito, ele conquistará a Casa Branca, desde que vença em Nevada, onde está liderando.

“Nos sentimos bem onde estamos”, disse Biden no Estado de Delaware, onde mora, recebendo como resposta as buzinas dos carros de apoiadores que o ouviam. “Acreditamos que estamos a caminho de vencer esta eleição.”

Trump disse ainda acreditar que poderá vencer no Arizona e conta com vitórias em pelo menos dois Estados do “muro azul”.

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Ele venceu nos Estados-chave da Flórida, Ohio e Texas, afastando as esperanças de Biden de uma vitória decisiva no início da apuração.

De acordo com a Edinson Research, no momento Biden tem 224 votos no Colégio Eleitoral, enquanto Trump soma 213.

Trump lidera na Geórgia e na Carolina do Norte, Estados onde também venceu e 2016, mas a apuração seguia em ambos.

“A declaração do presidente nesta noite sobre tentar parar a contagem de votos devidamente depositados foi ultrajante, sem precedentes e incorreta”, disse a gerente de campanha de Biden, Jen O’Malley Dillon, em comunicado.

Trump tem repetido, sem apresentar provas, que o aumento na votação pelo correio levará a um aumento na fraude, embora especialistas em eleições afirmem que fraudes sejam raras e que a votação pelo correio é algo comum há tempos nas eleições nos Estados Unidos.

Reportagem de Trevor Hunnicutt em Scranton, Pensilvânia, e John Whitesides em Washington; Reportagem adicional de Jason Lange, Jeff Mason, Steve Holland e Susan Heavey em Washington, Katanga Johnson e Rich McKay em Atlanta, Tim Reid em Los Angeles, e Lewis Krauskopf em Nova York