Eleição sem povo: Maduro anuncia vitória esmagadora de seu partido em pleito sem oposição e questionado na Venezuela
A repressão pré-eleitoral e a exclusão de adversários políticos seguem uma cartilha já conhecida do chavismo.
- Foto: Reprodução/Youtube
Notícias do Mundo – As eleições parlamentares e para governadores realizadas neste domingo (25) na Venezuela se desenrolaram sob um cenário amplamente criticado por observadores internacionais e com baixíssima participação popular, conforme apontam dados extraoficiais divulgados por jornalistas locais. Com a ausência da maioria dos partidos de oposição — muitos dos quais boicotaram o pleito — e um ambiente de repressão, o regime de Nicolás Maduro volta a encenar uma eleição sob fortes suspeitas de ilegitimidade.
A votação ocorreu dias após a prisão de aproximadamente 70 líderes opositores, acusados pelo governo de integrarem uma suposta “rede terrorista” voltada a sabotar o processo eleitoral. A repressão pré-eleitoral e a exclusão de adversários políticos seguem uma cartilha já conhecida do chavismo: enfraquecer qualquer ameaça ao poder por meio de perseguições, censura e controle absoluto das instituições.
PUBLICIDADE
Com mais de 21 milhões de eleitores convocados às urnas, a eleição buscava eleger 285 deputados para a Assembleia Nacional e 24 governadores, incluindo, pela primeira vez, representantes de um estado criado unilateralmente pelo regime em uma área do território do Essequibo, que há mais de um século é objeto de disputa com a Guiana. A iniciativa é considerada uma manobra populista de Maduro para inflamar o nacionalismo e desviar a atenção da grave crise social, econômica e política que o país atravessa.
Apesar da ausência de dados oficiais até o momento, lideranças chavistas já proclamaram uma “vitória esmagadora”, ignorando a baixa adesão popular. A narrativa oficial segue tentando construir a imagem de um governo estável e soberano, mesmo diante do descrédito internacional e da crescente rejeição interna.
De acordo com os números oficiais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgados no final da tarde de ontem, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ganhou 23 dos 24 cargos de governador, deixando apenas o estado de Cojedes, no centro-oeste, para a oposição.
A coligação de Maduro obteve 82,68% dos votos nas listas nacionais para as eleições legislativas, enquanto é aguardada a contagem dos resultados para cada círculo eleitoral, informou o CNE.
PUBLICIDADE
Conflito com a com a Guiana
Maduro também aproveitou o pleito para fazer declarações provocativas sobre o conflito territorial com a Guiana, criticando o presidente Irfaan Ali e afirmando que a “Guiana terá de aceitar a soberania venezuelana”. O discurso beligerante, vindo logo após o voto do mandatário em Caracas, reforça a tentativa de usar o nacionalismo como ferramenta de legitimação diante de um povo cansado e com poucas perspectivas de mudança.
Leia mais: Maduro sobe o tom e diz que Guiana deverá aceitar soberania venezuelana
A ausência de observadores internacionais independentes e a condução das eleições por um Conselho Nacional Eleitoral dominado pelo chavismo lançam dúvidas sobre qualquer resultado anunciado. Especialistas apontam que o processo serve mais para reforçar a fachada democrática do regime do que para refletir a vontade real dos venezuelanos.
Com um histórico recente de fraudes eleitorais, perseguição a opositores, censura à imprensa e colapso econômico, o resultado deste pleito apenas consolida o poder de Nicolás Maduro e aprofunda o isolamento político da Venezuela no cenário internacional. Para muitos analistas, o país vive uma ditadura de fachada constitucional, onde o voto se tornou símbolo de um sistema viciado e manipulado.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






