EUA impõem novas tarifas de importação e geram reações no Brasil e no mundo
A primeira ação foi a imposição de uma taxa de 25% sobre automóveis importados da Europa e Ásia.
- Divulgação
Mundo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um novo pacote de tarifas sobre produtos importados, apelidado de “tarifaço global”. A medida tem o objetivo de combater o que o governo norte-americano considera práticas comerciais desleais e incentivar a produção interna. O Brasil está entre os países afetados.
A primeira ação foi a imposição de uma taxa de 25% sobre automóveis importados da Europa e Ásia, a partir desta quinta-feira (3). “A partir da meia-noite, todos os automóveis importados terão uma tarifa de 25%”, declarou Trump. Desde fevereiro, o presidente já sinalizava a possibilidade de novas taxações, mas sem detalhar valores ou critérios. Na última semana, ele reforçou que a medida será aplicada a todos os países, mas deixou em aberto possíveis ajustes e negociações.
Trump classifica sua política tarifária como o “Dia da Libertação”, afirmando que ajudará os Estados Unidos a reduzir sua dependência de importações. O governo defende a adoção de tarifas recíprocas, ou seja, aplicando taxas equivalentes às impostas pelos parceiros comerciais norte-americanos.
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Impacto no Brasil e reação do governo
No Brasil, o aumento das tarifas preocupa principalmente os setores de aço e alumínio, que já sofrem restrições desde março. O etanol brasileiro também pode ser afetado, já que, enquanto os EUA aplicam uma taxa de 2,5% sobre o produto importado, o Brasil cobra 18% sobre o etanol norte-americano.
Diante da decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a medida e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Caso a contestação não seja bem-sucedida, o governo estuda retaliar com tarifas sobre produtos norte-americanos.
No Congresso Nacional, parlamentares discutem ações para endurecer a política comercial contra os Estados Unidos. Na terça-feira (1º), o Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil responder a barreiras comerciais impostas por outros países. O texto segue para análise na Câmara dos Deputados.
A proposta dá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a responsabilidade de avaliar e aplicar contramedidas, como:
✅ Taxação extra sobre bens e serviços de países que impuserem barreiras ao Brasil;
✅ Suspensão de concessão de patentes e remessa de royalties;
✅ Revisão de compromissos do Brasil em acordos comerciais internacionais.
O autor do projeto, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), destacou que a iniciativa visa proteger a economia brasileira. “Não podemos aceitar passivamente essas barreiras comerciais. O Brasil precisa agir”, afirmou.
Além disso, uma comitiva diplomática foi enviada a Washington para tentar negociar alternativas e buscar isenções para setores específicos. O governo brasileiro também avalia ampliar parcerias comerciais para reduzir a dependência das exportações para os EUA.
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Reação internacional
As novas tarifas dos Estados Unidos repercutiram globalmente, levando outros países a considerarem medidas de resposta.
Canadá – O primeiro-ministro Mark Carney criticou a decisão e afirmou que o Canadá poderá adotar tarifas próprias contra os EUA. “A relação que tínhamos, baseada em integração econômica e cooperação, acabou”, declarou.
México – A presidente Claudia Sheinbaum evitou falar em retaliação, mas afirmou que a prioridade do país é proteger empregos. “Não acreditamos em olho por olho. O diálogo deve continuar”, disse.
China – O governo chinês alertou para os impactos negativos da medida no comércio global. “Não há vencedores em guerras comerciais”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
União Europeia – A Comissão Europeia classificou a decisão como prejudicial e anunciou a possibilidade de retaliar com até € 26 bilhões (US$ 28 bilhões ou R$ 160 bilhões) em impostos sobre produtos norte-americanos. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a medida pode gerar inflação e desemprego.
Com o aumento das tensões comerciais, o mercado global observa atentamente os desdobramentos e possíveis novas retaliações.
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