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Evo Morales deixa a Bolívia rumo ao México e diz: “Em breve voltarei com mais força e energia”

Um dia após renunciar à presidência, o boliviano deixou o país na noite desta segunda-feira com destino ao México, onde receberá asilo político.

Por Hugo Guimarães

12/11/2019 às 08:33 - Atualizado em 12/11/2019 às 08:38

Ex-presidente aceita oferta mexicana de asilo político e promete voltar “com mais força e energia”. Ministro da Defesa também renuncia, afirmando jamais ter ordenado que militares “empunhem uma arma contra seu povo”.Um dia após renunciar à presidência, o ex-presidente boliviano Evo Morales deixou a Bolívia na noite desta segunda-feira (11/11) com destino ao México, onde receberá asilo político.

“Irmãs e irmãos, estou indo para o México”, escreveu ele no Twitter. “Dói abandonar o país por razões políticas, mas estarei sempre atento. Em breve voltarei com mais força e energia.”

Evo embarcou na noite de segunda-feira num avião militar do governo mexicano, após decolar da cidade de Chimoré, na região de Cochabamba, antigo reduto do ex-presidente e para onde ele se havia retirado após renunciar.

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Antes da decolagem, o ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, postou no Twitter uma foto com Evo sentado dentro da aeronave, com uma bandeira mexicana no colo.

“Já decolou o avião da Força Aérea Mexicana com Evo Morales a bordo”, escreveu. “De acordo com as convenções internacionais vigentes, ele está sob proteção do México. Sua vida e sua integridade estão a salvo.”

O governo do México afirmou nesta segunda-feira que concedera asilo político a Evo Morales, que renunciou à presidência da Bolívia no domingo, pressionado por militares e policiais, depois de uma crise causada por suspeitas de fraude nas eleições.

“A ministra do Interior do México, Olga Sánchez Cordero, decidiu conceder asilo político a Evo Morales. A sua vida e integridade física estão ameaçadas”, disse Ebrard, durante coletiva de imprensa na Cidade do México.

Ebrard havia anunciado no domingo que o México oferecera asilo a Morales depois de ter recebido na embaixada do país em La Paz funcionários e deputados bolivianos.

Na madrugada desta terça-feira, o ministro da Defesa boliviano, Javier Zavaleta López, também renunciou, citando os eventos dos últimos dias ao anunciar sua decisão pelo Twitter.

“O Estado que construímos é uma Bolívia onde um militar deveria encarar a defesa de sua pátria ao lado de seu povo, e não contra ele”, ressaltou, frisando também que jamais deu uma ordem “para que nossos soldados e marinheiros empunhem uma arma contra seu povo e jamais a daremos”.

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Tensão continua

Na segunda-feira, a situação continuava tensa no país. Milhares de apoiadores de Morales se reuniram para protestar em La Paz. O candidato da oposição Carlos Mesa, derrotado nas eleições presidenciais, tuitou: “Muitas pessoas me alertam dizendo que uma turba violenta se dirige ao meu domicílio para destruí-lo. Solicito à Polícia Nacional que evite essa loucura.”

O chefe das Forças Armadas, Williams Kaliman, anunciou a formação de uma ação conjunta com a polícia para controlar os protestos em várias partes da Bolívia e evitar “derramamento de sangue e lutas dentro da família boliviana”. Pouco antes, o chefe de polícia de La Paz, José Barrenechea, havia pedido a intervenção do Exército, alegando que a polícia está “sobrecarregada” pela violência.

O Senado, de 36 cadeiras, onde os seguidores de Morales ainda são majoritários, com 25 assentos, deve se reunir nesta terça-feira para ratificar a renúncia de Morales e de outros membros do governo e para nomear o presidente interino da Bolívia, mas há dúvidas quanto ao comparecimento de senadores governistas.

Jeanine Añez, segunda vice-presidente do Senado e provável sucessora interina de Morales, anunciou na segunda-feira a convocação de novas eleições presidenciais.

“Nós já temos um calendário. Acho que a população está gritando para que em 22 de janeiro já tenhamos um presidente eleito”, disse Añez a repórteres, citando a data planejada, antes da crise, para a posse presidencial.

Integrante da oposição, ela é tida como provável substituta interina de Morales após a renúncia de todos os que a precediam na linha de sucessão – alguns dos quais buscaram refúgio na embaixada do México.

Fonte: DW

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