Expulsão de repórter do New York Times pela China gera reação dos EUA e amplia tensão diplomática
Caso envolve entrevista com o presidente de Taiwan e reacende embate entre os dois países sobre imprensa internacional e soberania da ilha.

FOTO: Reprodução
Resumo:
A expulsão de uma jornalista do New York Times pela China abriu uma nova frente de tensão entre Pequim e Washington. O episódio está ligado a uma entrevista com o presidente de Taiwan e pode resultar em uma medida de reciprocidade por parte dos Estados Unidos contra um funcionário da agência estatal chinesa Xinhua.
Notícias do Mundo – Uma decisão do governo chinês de retirar a autorização de permanência de uma jornalista do The New York Times provocou uma nova crise diplomática entre China e Estados Unidos. O episódio, revelado pelo jornal norte-americano nos últimos dias, está relacionado a uma entrevista concedida pelo presidente de Taiwan, Lai Ching-te, durante um evento promovido pelo veículo.
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Como resposta, o governo dos Estados Unidos avalia cancelar o visto de um profissional da agência estatal chinesa Xinhua que atua em território americano, segundo informações divulgadas por veículos internacionais.
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Entenda a origem do impasse
A controvérsia teve início após uma conferência realizada pelo The New York Times em Nova York. Durante o encontro, o presidente de Taiwan participou de uma entrevista virtual para discutir temas relacionados à segurança regional e às relações entre a ilha e a China.
Embora a correspondente Vivian Wang não tenha conduzido a entrevista, a jornalista acabou sendo alvo da decisão chinesa. Ela trabalhava em Pequim desde 2020 e teve sua autorização para permanecer no país revogada.
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Para o governo chinês, o jornal desrespeitou o princípio de “Uma Só China”, política que considera Taiwan parte integrante do território chinês.
Pequim defende decisão
Autoridades chinesas afirmam que a medida foi tomada dentro da legislação nacional e alegam que o veículo de comunicação promoveu conteúdos considerados incompatíveis com a posição oficial do país sobre Taiwan.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores da China acusou a jornalista de ter adotado práticas que violariam regras aplicadas à atuação da imprensa estrangeira em território chinês.
O governo também criticou a possibilidade de retaliação por parte dos Estados Unidos, argumentando que jornalistas chineses enfrentam dificuldades para obter autorização de trabalho em solo americano.
Jornal americano reage à expulsão
O The New York Times contestou a decisão e pediu que a repórter seja novamente credenciada para atuar na China.
Em comunicado, a direção do jornal afirmou que medidas desse tipo prejudicam o acesso da comunidade internacional a informações independentes sobre a realidade chinesa e dificultam a cobertura jornalística de temas relevantes para a economia e a política mundial.
A empresa também demonstrou preocupação com a redução do número de correspondentes estrangeiros autorizados a trabalhar no país asiático.
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Governo de Taiwan critica medida
A administração de Taiwan classificou a expulsão da jornalista como uma tentativa de pressionar veículos de comunicação e limitar a circulação de informações.
Representantes do governo taiwanês destacaram que entrevistas concedidas pelo presidente fazem parte da rotina institucional e consideraram inadequada qualquer tentativa de restringir o trabalho da imprensa por razões políticas.
Disputa pela informação já dura anos
A imprensa tem sido um dos alvos frequentes das disputas entre China e Estados Unidos. Nos últimos anos, os dois países adotaram medidas que restringiram a atuação de jornalistas e veículos de comunicação ligados ao outro lado.
Em 2020, Washington ampliou o controle sobre algumas organizações de mídia estatais chinesas. Em resposta, Pequim endureceu as regras para correspondentes americanos, resultando na saída de diversos profissionais de grandes jornais internacionais.
O novo episódio reforça o clima de rivalidade entre as duas potências e evidencia que a questão de Taiwan continua sendo um dos temas mais sensíveis da política internacional.
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