Judiciário de Israel passa a exigir convocação militar de judeus ultraortodoxos
Supremo Tribunal de Israel ordena convocação militar de judeus ultraortodoxos, impactando políticas de recrutamento e desafiando a coligação de Netanyahu.

Judiciário de Israel passa a exigir convocação militar de judeus ultraortodoxos – Judeus ultraortodoxos fazem fila junto de um gabinete de recrutamento israelense para processar suas isenções do serviço militar obrigatório numa base de recrutamento em Kiryat Ono, Israel 28/03/2024REUTERS/Hannah McKay
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Judiciário de Israel passa a exigir convocação militar de judeus ultraortodoxos, marcando uma transformação significativa nas políticas de recrutamento do país. Em uma decisão tomada na terça-feira (25), o Supremo Tribunal de Israel ordenou que o governo convocasse judeus ultraortodoxos para o serviço militar, desferindo um golpe no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que tem o potencial de desfazer a sua coligação governante.
Impacto Político e Social
O tribunal também determinou que o governo retirasse o financiamento de quaisquer escolas religiosas, ou yeshivas, cujos alunos não cumpram os avisos preliminares. Essa decisão reflete uma posição firme contra a distinção legal entre estudantes da yeshiva e os destinados ao serviço militar. “Neste momento não existe um quadro jurídico que permita distinguir entre os estudantes da yeshiva e os destinados ao serviço militar”, afirmou o tribunal. “Consequentemente, o estado não tem autoridade para ordenar que se evite totalmente o seu recrutamento”.
Histórico de Isenções e Conflitos
Desde a fundação de Israel, os judeus ultraortodoxos (ou Haredi) estão isentos do serviço militar obrigatório nacional. Para a comunidade Haredi, o estudo religioso é visto como crucial para a preservação do judaísmo, sendo considerado tão vital quanto a defesa militar de Israel. Essa perspectiva criou um ponto de tensão constante entre os ultraortodoxos e o restante da população israelense.
Os partidos Haredi têm se oposto firmemente aos esforços para incluir os jovens ultraortodoxos nas forças armadas. A frágil coligação governamental de Netanyahu depende de dois partidos Haredi – Judaísmo da Torá Unida e Shas – para governar. Netanyahu vem tentando aprovar uma legislação que consagraria na lei um projeto de isenção para os homens Haredi, enfrentando, entretanto, críticas dentro de seu próprio governo. O ministro da defesa de Netanyahu, Yoav Gallant, criticou publicamente essa tentativa de isentar os judeus Haredi.
Repercussões e Pesquisas de Opinião
Esta não é a primeira vez que a Suprema Corte anula a isenção Haredi. Em 1998, o tribunal já havia declarado que permitir que os Haredi escapassem do recrutamento violava os princípios de proteção igualitária. Nas décadas seguintes, sucessivos governos e parlamentos israelenses tentaram resolver a questão, apenas para serem informados repetidamente pelo tribunal de que seus esforços eram ilegais.
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A oposição à isenção é amplamente apoiada pela população israelense. Numa sondagem de fevereiro realizada pelo Israel Democracy Institute, 64% dos entrevistados israelenses e 70% dos entrevistados judeus israelenses disseram que a isenção Haredi “deveria ser alterada”. Os pesquisadores falaram com adultos que moram em Israel – 600 em hebraico e 150 em árabe. Esses dados refletem a crescente insatisfação com a política atual e a demanda por uma solução mais equitativa.
Redação Site On
Fonte: CNN
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