Maduro promove embaixador a general em meio a tensão militar com os EUA
O anúncio foi feito pelo canal de transmissão do líder chavista no Telegram, com um vídeo da cerimônia.
Notícias do Mundo – Em um momento de crescente tensão internacional, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a promoção do embaixador venezuelano na Colômbia, Carlos Eduardo Martínez Mendoza, ao posto de general de divisão da reserva ativa da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). O ato ocorreu em meio ao envio de navios de guerra dos Estados Unidos ao mar do Caribe, em uma clara demonstração de força militar norte-americana na região.
O anúncio da promoção foi transmitido por meio do canal oficial de Maduro no Telegram, que exibiu imagens da cerimônia. Vestido em uniforme militar, Martínez Mendoza recebeu a patente diretamente das mãos do líder chavista. “Decidi e procedo a promovê-lo a general de divisão da Força Armada Nacional Bolivariana em situação de reserva ativa”, afirmou Maduro durante o evento.
Siento mucho aguarles la diversión, pero es bueno saber quién es el protagonista de este video.
Carlos Eduardo Martínez Mendoza tiene 70 años. Egresado de la Academia Militar en 1975 (puesto 55) como oficial del arma de infantería, hizo estudios de postgrado en Planificación… pic.twitter.com/MAG3cUxG88— Rafael Gonzalez Richmond (@rafagonzalez64) August 25, 2025
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Carreira diplomática e militar
Martínez Mendoza não é um nome novo no círculo de confiança do chavismo. Militar de carreira, já ostentava o posto de general de brigada da FANB antes de assumir missões diplomáticas estratégicas. Em 2011, foi nomeado por Hugo Chávez como embaixador da Venezuela na Argentina, cargo que exerceu até 2018, durante os governos de Cristina Kirchner e Mauricio Macri.
Posteriormente, foi deslocado para Bogotá, substituindo o diplomata Félix Plasencia na embaixada da Colômbia. Ao longo de sua trajetória, Mendoza também participou de negociações de paz com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), representando o governo de Caracas em diferentes rodadas de conversas.
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A nomeação de militares em postos tradicionalmente ocupados por civis não é inédita no regime chavista. Contudo, analistas apontam que Maduro tem intensificado essa prática nos últimos anos, como forma de consolidar a fidelidade da cúpula fardada, considerada um dos pilares de sustentação do seu governo.
Mobilização de tropas e milicianos
A promoção de Martínez Mendoza ocorre em paralelo a novos anúncios militares do regime. Na última segunda-feira (25), Maduro determinou a mobilização de 15 mil agentes para reforçar a segurança na fronteira com a Colômbia, sob a justificativa de intensificar o combate ao narcotráfico.
Além disso, o ditador anunciou que pretende mobilizar 4,5 milhões de integrantes da Milícia Nacional Bolivariana, uma unidade paramilitar com cerca de 220 mil membros realmente treinados. Apesar da discrepância entre os números, centros de registro já foram montados em praças públicas, instalações militares e até no Palácio de Miraflores, sede da presidência em Caracas.
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Escalada com os Estados Unidos
Enquanto Maduro busca demonstrar força interna e mobilizar tropas, os Estados Unidos reforçam sua presença no Caribe. Após serem desviados temporariamente devido ao furacão Erin, três destróieres lançadores de mísseis guiados da classe Arleigh Burke retomaram nesta segunda-feira sua rota em direção à região.
O Pentágono também anunciou o envio do USS Lake Erie, um cruzador da classe Ticonderoga, capaz de disparar até 122 mísseis – número superior aos 96 mísseis dos destróieres Arleigh Burke. A operação norte-americana conta ainda com o apoio do USS Newport News, um submarino nuclear de ataque da classe Los Angeles, projetado para missões de alta letalidade.
A movimentação militar dos EUA é interpretada por Caracas como uma provocação direta, mesmo sem menção explícita do governo norte-americano. Na semana passada, Maduro discursou em rede nacional e reafirmou a posição de resistência frente ao que chamou de “ameaça imperial”.
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“Defendemos nossos mares, nossos céus e nossas terras. Nós os libertamos. Nós os guardamos e patrulhamos. Nenhum império tocará o solo sagrado da Venezuela, nem deve tocar o solo sagrado da América do Sul”, declarou o líder chavista durante encontro com governadores e prefeitos.
Implicações regionais
A nomeação de Mendoza e os anúncios militares reforçam a percepção de que o regime venezuelano busca militarizar ainda mais sua estrutura política e diplomática. Para especialistas, o objetivo de Maduro é duplo: fortalecer sua base interna com apoio das Forças Armadas e enviar uma mensagem de resistência diante da pressão internacional.
Ao mesmo tempo, a presença de navios norte-americanos de grande porte no Caribe eleva o nível de alerta entre os países vizinhos, especialmente a Colômbia, que mantém relações tensas com Caracas. A região amazônica e as fronteiras terrestres também podem ser impactadas, caso haja incidentes militares ou intensificação do fluxo de grupos armados ilegais, como o ELN e facções ligadas ao narcotráfico.
O cenário atual coloca a Venezuela novamente no centro das atenções internacionais, reeditando um clima de confrontação semelhante ao observado em outros momentos de embate entre Caracas e Washington.
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