Milei negocia acordo com governo Trump para que argentinos entrem nos EUA sem visto
Enquanto a Argentina dá passos para facilitar a entrada de seus cidadãos nos EUA, o Brasil se vê diante de barreiras comerciais.
- Foto: Divulgação/Gabinete do Presidente da República Argentina
Notícias do Mundo – O governo argentino anunciou, nesta segunda-feira (28), que iniciou formalmente o processo de adesão ao Visa Waiver Program, programa dos Estados Unidos que permite a entrada de cidadãos em território americano sem a necessidade de visto. A iniciativa, liderada pelo presidente Javier Milei, é vista como mais um passo no alinhamento político e diplomático com os Estados Unidos — em especial com o setor mais conservador do país, liderado pelo presidente Donald Trump.
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Em contraste, o Brasil tem enfrentado obstáculos no cenário comercial americano. No início de julho, o governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, que entrarão em vigor na próxima sexta-feira (1º). A medida acendeu o alerta entre exportadores e reforçou a percepção de que a relação entre Washington e Brasília pode estar passando por um momento de tensão política e econômica.
Milei aposta em alinhamento com EUA
O anúncio argentino foi feito após um encontro entre Milei e a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, na Casa Rosada. Em comunicado oficial, o governo afirmou que a adesão ao programa “permitirá que milhões de argentinos possam viajar aos EUA para turismo ou negócios sem necessidade de visto, posicionando a Argentina em um seleto grupo com este privilégio”.
Atualmente, apenas o Chile possui esse benefício entre os países da América Latina. A entrada no programa, no entanto, não é imediata. A Argentina ainda precisa comprovar que atende a requisitos técnicos e de segurança exigidos pelas autoridades norte-americanas.
Entre as exigências para participar do Visa Waiver Program estão o cumprimento de protocolos rigorosos de controle migratório, índices reduzidos de rejeição de vistos e acordos de compartilhamento de informações com os Estados Unidos. Se for aprovada, a população argentina poderá solicitar o ESTA (Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem), pagando uma taxa de US$ 21 (cerca de R$ 114) — muito abaixo dos mais de R$ 1.000 cobrados atualmente por um visto comum.
Brasil na contramão
Enquanto a Argentina dá passos para facilitar a entrada de seus cidadãos nos EUA, o Brasil se vê diante de barreiras comerciais. No último dia 9, o governo Biden anunciou tarifas de até 50% sobre a importação de produtos brasileiros, afetando principalmente setores como o aço, o alumínio e o agronegócio. A medida, segundo especialistas, pode ser uma resposta à ausência de alinhamento ideológico entre os dois governos.
Analistas políticos apontam que os avanços diplomáticos de Milei junto ao governo Trump têm contribuído para um tratamento preferencial. Desde o início de sua gestão, Milei tem sido enfático em seu apoio ao presidente norte-americano, enquanto o Brasil mantém uma postura distante da atual ou da futura configuração política americana.
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