No poder há 15 anos, primeira-ministra de Bangladesh renuncia e foge do país após violenta onda de protestos
O paradeiro da ex-premiê permanece desconhecido, mas a imprensa local especula que ela buscará refúgio na vizinha Índia.
- Foto: Reprodução
Nesta segunda-feira, 5 , a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, anunciou sua renúncia em meio a uma onda de protestos violentos que resultaram em centenas de mortes e culminaram com a invasão de sua residência oficial. Hasina, que esteve no poder por 15 anos, deixou o país após sua renúncia, segundo informações do Comando das Forças Armadas. O paradeiro da ex-premiê permanece desconhecido, mas a imprensa local especula que ela buscará refúgio na vizinha Índia.
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Bangladesh, um dos países mais populosos do mundo, localizado no sudeste asiático, tem sido palco de intensos protestos estudantis nas últimas semanas. Esses protestos já resultaram na morte de 300 pessoas, sendo 90 apenas no último domingo, durante confrontos entre manifestantes, forças policiais e apoiadores de Hasina. Em resposta à violência, o Ministério do Interior decretou um toque de recolher por tempo indeterminado a partir das 18 horas locais de domingo.
Latest reports from Bangladesh indicate that Prime Minister Sheikh Hasina has left Dhaka for an undisclosed location after unprecedented nationwide violence in the country. Some suggest she could come to New Delhi as well. Developing story. (Videos and Photo viral on BD Media) pic.twitter.com/Kk5ODQZENk
— Aditya Raj Kaul (@AdityaRajKaul) August 5, 2024
Os protestos começaram em junho após a Suprema Corte do país reinstituir um sistema de cotas controverso para contratações no setor público. Este sistema, que havia sido extinto em 2018, reservava 30% das vagas para descendentes de veteranos da guerra de independência de Bangladesh contra o Paquistão, ocorrida em 1971. Em julho, o Supremo reduziu a cota para 5%, mas os protestos continuaram e se transformaram em um movimento mais amplo contra o governo de Hasina.
A situação se agravou na semana passada quando os manifestantes adotaram um movimento de “não-cooperação”, visando paralisar o governo e exigir a renúncia da primeira-ministra. A crescente violência e a severidade dos confrontos intensificaram a pressão sobre Hasina, culminando em sua decisão de renunciar e deixar o país.
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Os protestos foram inicialmente desencadeados por estudantes universitários que se opunham ao sistema de cotas, visto por muitos como discriminatório e injusto. No entanto, a insatisfação rapidamente se espalhou para outros setores da sociedade, refletindo um descontentamento generalizado com o governo de Hasina, acusado de corrupção e autoritarismo.
A renúncia de Hasina marca um momento crítico na história de Bangladesh. A liderança de Hasina, filha do líder da independência de Bangladesh, Sheikh Mujibur Rahman, foi marcada por um desenvolvimento econômico significativo, mas também por acusações de repressão aos opositores e limitações à liberdade de expressão. Sua saída abrupta do cargo e do país lança Bangladesh em um período de incerteza política.
O Comando das Forças Armadas anunciou a formação de um governo interino para administrar o país até que novas eleições possam ser realizadas. No entanto, o caminho para a estabilidade parece desafiador, dado o clima de tensão e descontentamento que permeia a nação.
A comunidade internacional está acompanhando de perto os acontecimentos em Bangladesh. Países vizinhos e organizações internacionais expressaram preocupação com a escalada da violência e a instabilidade política. A expectativa é que o governo interino consiga restaurar a ordem e preparar o terreno para uma transição democrática pacífica.
Enquanto isso, a população de Bangladesh continua a enfrentar as consequências de semanas de tumultos e incertezas.
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