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Para manter controle ideológico, Coreia do Norte aumenta execuções de quem consome mídia estrangeira, aponta estudo

Aumento expressivo nas execuções inclui punições por consumo de cultura estrangeira, prática religiosa e comportamentos considerados “superstição” pelo regime.

Por Natan AMPOST

05/05/2026 às 19:11 - Atualizado em 14/05/2026 às 08:00

Resumo


Relatório revela aumento de execuções na Coreia do Norte por consumo de cultura estrangeira e religião após 2020. Dados apontam endurecimento do regime e não só por crimes “tradicionais”, mas por coisas como: assistir filmes estrangeiros, ouvir música (tipo K-pop), ter religião (até possuir uma Bíblia), práticas consideradas “superstição”.

Notícias do Mundo Um relatório de direitos humanos divulgado por uma organização com sede em Seul revelou um aumento significativo nas execuções na Coreia do Norte, que tem raízes no comunismo, especialmente por crimes relacionados ao consumo e disseminação de cultura estrangeira, práticas religiosas (incluindo possuir uma Bíblia) e até “superstição”. O levantamento aponta uma mudança no padrão repressivo do regime liderado por Kim Jong-un, com foco crescente no controle ideológico da população.

O estudo foi conduzido pela Transnational Justice Working Group (TJWG), que entrevistou 880 desertores norte-coreanos para mapear execuções ocorridas antes e depois do fechamento das fronteiras do país, em janeiro de 2020, medida adotada como resposta à pandemia de Covid-19.

Aumento expressivo nas execuções

De acordo com o relatório, 153 pessoas foram condenadas à morte entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024. O número representa um aumento de quase 250% em relação ao período anterior.

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O crescimento é ainda mais acentuado quando analisados casos ligados à cultura estrangeira, religião e práticas consideradas ilegais pelo regime. Nesse recorte, 38 pessoas foram executadas em menos de cinco anos, contra apenas sete casos registrados anteriormente.

Antes do fechamento das fronteiras, os crimes mais frequentemente punidos com morte estavam ligados a homicídios. No entanto, o relatório aponta uma mudança clara: o foco passou a ser o consumo de conteúdos estrangeiros, como filmes, séries e músicas — especialmente produções da Coreia do Sul.

Controle ideológico mais rígido

Especialistas ouvidos pela pesquisa afirmam que a mudança indica um endurecimento da política interna, com o uso de punições extremas como forma de garantir lealdade ao regime.

Apesar da repressão, conteúdos estrangeiros continuam circulando dentro do país, muitas vezes de forma clandestina. Isso inclui desde produções sul-coreanas até filmes de ação norte-americanos, que chegam ao território por meio de contrabando.

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Leia mais: Os crimes chocantes de Kim Jong-un: assassinatos, exploração de menores e vigilância extrema

Para Greg Scarlatoiu, diretor de um comitê sediado em Washington, os dados refletem uma tendência já observada por outras organizações.

Na Coreia do Norte, a repressão sempre se torna mais severa. O número de pessoas que verdadeiramente acreditam no regime está diminuindo drasticamente. Em vez de doutrinação ideológica, a violência está se tornando a opção preferida do governo”, afirmou.

Jovens desafiam o regime

Segundo o relatório, jovens norte-coreanos, inclusive de famílias ligadas à elite, têm buscado cada vez mais acesso a conteúdos estrangeiros. A cultura pop sul-coreana, em especial, exerce forte influência.

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Mesmo diante dos riscos, muitos continuam consumindo esse material, o que, segundo analistas, demonstra uma mudança no comportamento social dentro do país.

Eles arriscam suas vidas para acessar essas informações”, destacou Scarlatoiu.

Casos emblemáticos reforçam alerta

Um dos episódios citados ocorreu em janeiro de 2022, quando um casal foi executado publicamente após assistir e compartilhar conteúdos sul-coreanos. O caso teria ocorrido na província de Pyongan do Sul, segundo o portal Daily NK.

A mulher executada era filha de um alto funcionário do governo, o que não impediu a aplicação da pena. Após a execução, familiares teriam sido enviados para campos de prisioneiros políticos.

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Cerca de 300 pessoas foram obrigadas a assistir à execução, incluindo indivíduos suspeitos de consumir ou compartilhar o mesmo conteúdo. Muitos deles foram presos posteriormente.

Isolamento e repressão

O fechamento das fronteiras em 2020 intensificou o isolamento da Coreia do Norte, limitando ainda mais o fluxo de informações e aumentando o controle estatal sobre a população.

Especialistas apontam que, embora o regime tente conter a influência externa, a disseminação de conteúdo estrangeiro já é um fenômeno difícil de reverter.

A chamada “diplomacia do K-pop”, que chegou a aproximar os dois países em 2018, perdeu espaço nos últimos anos, dando lugar a uma postura mais rígida por parte do governo norte-coreano.

Impacto global e direitos humanos

Organizações internacionais consideram o cenário preocupante, destacando que o aumento das execuções por motivos culturais e religiosos representa uma violação grave de direitos humanos.

O relatório reforça a necessidade de monitoramento contínuo da situação no país e amplia o debate sobre liberdade de expressão e acesso à informação em regimes autoritários.

*Com informações da DW Brasil

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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