Senado do Chile aprova impeachment de juiz da Suprema Corte por corrupção
Juiz é acusado de favorecer empresa bilionária e fazer cruzeiros com advogados investigados.
- Foto: Agencia Uno
Notícias do Mundo – O Senado do Chile aprovou na segunda-feira (22) a chamada “acusação constitucional” contra o ministro Diego Simpertigue, destituindo-o do cargo por grave negligência no exercício da função. A decisão confirma o aval dado anteriormente pela Câmara dos Deputados e marca o terceiro impeachment de um magistrado da Suprema Corte chilena apenas em 2025, um fato sem precedentes recentes no país.
PUBLICIDADE
Simpertigue foi acusado de manter relação imprópria com advogados do consórcio Belaz Movitec, envolvido em disputas judiciais bilionárias com a mineradora estatal Codelco. O caso ganhou repercussão nacional e ficou conhecido como “Complô Bielorrusso”.
De acordo com as investigações, a Belaz Movitec recebeu mais de US$ 17 bilhões após vencer uma série de ações judiciais contra a Codelco. Em pelo menos dois julgamentos decisivos — nos dias 28 de setembro de 2023 e 14 de março de 2024 — Simpertigue votou a favor do consórcio. Logo após essas decisões, o magistrado participou de um cruzeiro de dez dias pela Europa ao lado de Eduardo Lagos, um dos advogados da empresa, atualmente em prisão preventiva. A esposa do juiz também integrou a viagem.
Leia também: Senadora Damares apresenta representação criminal e pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
As apurações revelaram ainda que, em abril de 2023, Simpertigue já havia participado de outro cruzeiro com os mesmos advogados, desta vez pelo Mediterrâneo, após decisão favorável em um caso imobiliário envolvendo a empresa Fundamenta. Para o Senado chileno, o conjunto dos fatos configurou conflito de interesses grave e quebra de decoro incompatível com o cargo.
Além de Simpertigue, outros dois ministros da Suprema Corte do Chile foram destituídos este ano por razões distintas: Ángela Vivanco e Sergio Muñoz.
O cenário chileno contrasta diretamente com o Brasil. Por aqui, nunca houve impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Em meio ao aumento das críticas às condutas de magistrados e à expectativa de mudança no perfil político do Senado, o ministro Gilmar Mendes alterou as regras do processo, elevando o quórum mínimo para dois terços dos votos dos senadores. A exigência, mantida até hoje, funciona na prática como uma blindagem institucional e torna a destituição de ministros do STF quase impossível.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos






