Uruguai pressiona Mercosul por acordo com a China e expressa preocupação sobre União Europeia
O Brasil tinha a expectativa de anunciar a finalização do acordo nesta quinta-feira, 7, mas a Argentina solicitou mais tempo, uma vez que Javier Milei assumirá a presidência no domingo.

Foto: Reprodução
O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Omar Paganini, sugeriu que o Mercosul deve progredir no diálogo com a China ou abrir caminho para um acordo bilateral que também poderá “servir” ao conjunto dos sul-americanos. Durante a Cúpula do Rio de Janeiro, o ministro reitera a demanda por uma maior abertura, algo que já tinha sido destacado durante a reunião em Puerto Iguazú, Argentina, no meio do ano, quando Montevidéu não participou da declaração final.
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“Como já afirmamos várias vezes, é essencial que o Uruguai aceite o acesso preferencial às economias mais dinâmicas do mundo”, destacou o chanceler ao afirmar que o Mercosul perdeu espaço com o avanço dos acordos bilaterais pelo mundo. “Dissemos, e o nosso presidente (Luis Lacalle Pou) reiterou, que queremos todo o Mercosul com a China, mas se o Uruguai puder avançar primeiro, acreditamos que também serve ao conjunto”, acrescentou.
Para obter esse progresso, o uruguaio sugeriu que o mecanismo de diálogo entre Mercosul e China seja reativado. “Passaram cinco anos desde a última reunião. Cinco anos em que o mundo se tornou mais complexo e mais desafiador. E todos sabem que a China é um ator com protagonismo nesse cenário”, concluiu o Paganini.
Montevidéu tem buscado negócio com a China, mas esbarra nas regras do Mercosul, que obriga os países-membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) a adotar uma Tarifa Externa Comum (TEC) sobre as importações.
O ministro também reafirmou o compromisso do país com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, mas expressou preocupação. “Vemos com satisfação os avanços do decorrer deste ano, especialmente no segundo semestre”, afirmou Paganini. “Vemos esses desdobramentos com esperança, mas também com certa preocupação pelas dificuldades que apareceram na reta final”, ponderou ao lembrar que a “janela de oportunidade” está se fechando.
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O Brasil tinha a expectativa de anunciar a finalização do acordo nesta quinta-feira, 7, durante a Cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro, e os europeus haviam confirmado que a parte técnica estava praticamente concluída, aguardando apenas um “impulso político”. No entanto, a Argentina solicitou mais tempo, uma vez que o libertário Javier Milei assumirá a presidência no domingo, apenas três dias após o encontro.
Durante a campanha, Milei fez críticas contundentes ao bloco, mas, após ser eleito, demonstrou sinais de moderação e indicou, por meio da futura chanceler, Diana Mondino, que tem interesse no livre comércio com a União Europeia.
Estadão Conteúdo

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