Volodymyr Zelensky critica Lula por “priorizar aliança” com Putin
Em conversa com jornalistas latino-americanos, presidente ucraniano não conseguiu esconder irritação com posições do governo brasileiro sobre a guerra.
- Foto: Ricardo Stuckert / Presidência do Brasil
Em um encontro recente com jornalistas latino-americanos na capital ucraniana, o presidente Volodymyr Zelensky expressou mais uma vez sua posição crítica em relação à aliança entre Brasil e Rússia. Durante a entrevista, Zelensky questionou abertamente os posicionamentos do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva diante da gestão de Vladimir Putin, em meio à contínua invasão russa à Ucrânia.
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“Como se pode priorizar a aliança com um agressor?”, indagou Zelensky, retoricamente, ressaltando a necessidade de uma postura mais firme do Brasil contra a agressão russa.
Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, Zelensky tem buscado incansavelmente apoio internacional para fortalecer a resistência ucraniana. Ele reconhece que ter o Brasil, uma das maiores economias emergentes do mundo, ao lado da Ucrânia, poderia ser um fator decisivo na luta contra a Rússia.
“O Brasil deve estar do nosso lado e dar um ultimato ao agressor. Por que temos de voltar a repetir estas coisas? Pela memória histórica, por temas econômicos? A economia é importante até que chega uma guerra, e quando a guerra chega os valores mudam”, afirmou Zelensky em entrevista reproduzida pelo jornal O Globo.
Zelensky enfatizou que, em tempos de guerra, os valores humanitários devem prevalecer sobre as relações econômicas. “Pesam mais as crianças, a família, a vida, só depois está o comércio com a Federação Russa”, destacou, sugerindo que os laços econômicos entre Brasil e Rússia devem ser reavaliados à luz das atrocidades cometidas durante a guerra.
A insatisfação de Zelensky com a postura brasileira também se reflete na falta de confirmação do Brasil para participar de uma cúpula de paz que será realizada em junho na Suíça. Segundo fontes diplomáticas brasileiras, qualquer conversa sobre o fim da guerra precisa incluir a participação russa, uma posição que Zelensky considera insuficiente e que não atende às necessidades urgentes da Ucrânia.
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