Belém recorre a navios e motéis para suprir falta de estrutura hoteleira na COP30
Atualmente, Belém conta com cerca de 24 mil leitos na rede hoteleira, número muito inferior à demanda esperada.
- Foto: reprodução
Notícias do Pará – A cidade de Belém (PA), sede da 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), precisará lançar mão de medidas emergenciais e criativas para acomodar os cerca de 50 mil visitantes esperados entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano. A falta de leitos em hotéis convencionais levou o Governo do Pará, em parceria com a Embratur, a contratar dois navios de cruzeiro que funcionarão como hotéis flutuantes durante o evento. Motéis da capital e da Região Metropolitana também estão sendo adaptados para hospedar delegações e participantes.
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A situação escancara a infraestrutura limitada da cidade para sediar um dos maiores encontros multilaterais do planeta. Atualmente, Belém conta com cerca de 24 mil leitos na rede hoteleira, número muito inferior à demanda esperada. Os dois navios — MSC Seaview e Costa Diadema — devem oferecer 6 mil leitos adicionais em aproximadamente 3.900 cabines, e ficarão atracados no Terminal Portuário de Outeiro, que está sendo ampliado para a ocasião.
Além dos navios, motéis das cidades de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Castanhal começaram a se reestruturar para atender hóspedes com diárias regulares, em vez de estadias por hora. Segundo a Associação Brasileira de Motéis (ABMotel), 550 quartos já estão prontos para locação diária, com capacidade de atender até 1.100 pessoas. Os estabelecimentos estão reformulando lavanderias, reestruturando equipes e adaptando os serviços para atender um público que, em tese, busca conforto e segurança para longos períodos.
A medida, embora necessária, gerou críticas sobre a falta de planejamento estrutural da capital paraense. “A cidade está fazendo malabarismo para receber a COP30, um evento que deveria deixar um legado, mas por enquanto está expondo os gargalos logísticos e de hospedagem da região”, disse uma fonte do setor de turismo que preferiu não se identificar.
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Outras soluções paliativas incluem o uso de 17 escolas públicas que serão transformadas em hostels temporários, além da mobilização de plataformas como Airbnb e Booking para cadastrar imóveis particulares e ampliar a oferta. As acomodações serão disponibilizadas por etapas, com prioridade para 98 países em desenvolvimento ou insulares, cujas diárias devem custar até US$ 220. Para os demais, os valores podem chegar a US$ 600 por noite.
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Segundo Valter Correia, secretário extraordinário para a COP30, todas as ações fazem parte de um esforço conjunto para garantir a realização do evento. “Estamos ampliando a capacidade de hospedagem de forma integrada. Os navios são apenas uma das soluções emergenciais, mas há uma série de frentes abertas para que tudo ocorra com tranquilidade”, afirmou.
No entanto, especialistas alertam que a dependência de soluções improvisadas pode comprometer a experiência dos participantes e afetar a imagem do Brasil como anfitrião. “Adaptar motéis e escolas é algo que resolve o problema imediato, mas não substitui investimentos estruturais necessários em uma cidade que quer se consolidar como referência global no debate climático”, pontuou a urbanista Mariana Ferreira, professora da UFPA.
A COP30 tem o potencial de movimentar a economia local, gerar empregos temporários e colocar Belém no centro do mapa diplomático mundial. Mas, para isso, será preciso enfrentar não apenas o desafio ambiental, mas também o desafio logístico de acomodar com dignidade as milhares de pessoas que estarão presentes para discutir o futuro do planeta.
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