Dez anos após naufrágio, navio Haidar segue submerso e Vila do Conde vive fantasma econômico e ambiental
O navio, que afundou em 6 de outubro de 2015 com cinco mil bois vivos e 700 toneladas de óleo, continua submerso até hoje.
- Divulgação / DNIT
Notícias do Pará – Uma década se passou desde o trágico naufrágio do navio MV Haidar, no porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), e os impactos da tragédia ainda marcam profundamente a vida das comunidades locais. O navio, que afundou em 6 de outubro de 2015 com cinco mil bois vivos e 700 toneladas de óleo, continua submerso até hoje, transformando o cenário em um símbolo de abandono ambiental e social.
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A embarcação de bandeira libanesa tinha como destino a Venezuela, mas afundou poucos minutos após zarpar. A tragédia gerou um rastro de destruição ambiental: milhares de animais mortos chegaram à praia e o vazamento de óleo contaminou as águas e o solo da região.
Dez anos depois, a praia de Vila do Conde é um retrato de desolação. Antes repleta de turistas, barracas e atividades comerciais, hoje o local sobrevive entre lembranças e promessas não cumpridas. “Nós tínhamos cerca de 15 barracas e recebíamos até 800 visitantes por fim de semana. Hoje, a praia está vazia”, lamenta Henrique Carvalho, presidente da Associação dos Barraqueiros e Comerciantes.
Os moradores relatam que a indenização recebida — cerca de R$ 3,2 mil por pessoa — não compensou as perdas. “Esse dinheiro não pagou nem um mês do que a gente ganhava antes”, conta Henrique. Já a agricultora Maria Andreia dos Santos afirma que a tragédia destruiu o sustento de dezenas de famílias: “A gente vivia do comércio da praia, do coco, do peixe, do camarão. Tudo acabou”.
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De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o navio não apresenta mais risco de contaminação ativa, mas o caso expõe um problema crônico de falta de licenciamento ambiental em Barcarena, um dos principais polos industriais do Norte do Brasil. “Até hoje o distrito industrial não tem licenciamento. Isso é grave, porque há indícios de contaminação da água e do ar”, alerta o procurador da República Bruno Araújo Valente.
Enquanto isso, o navio segue no fundo do rio. O Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que estuda o modelo contratual mais adequado para tentar a remoção, mas não há prazo definido para a operação. A Companhia Docas do Pará (CDP) declarou que as atividades do porto seguem normalmente e que o navio “não representa risco ambiental ativo”, embora o berço onde ele afundou siga interditado.
Para os moradores, a sensação é de abandono. “Fomos nascidos e criados aqui, e agora não temos mais o direito de viver dignamente no nosso território”, desabafa o ex-produtor rural João Dias dos Santos, uma das vozes que ainda lutam por justiça e reparação.
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