Fenaj e SINJOR-PA denunciam censura judicial contra jornalista após denúncias sobre prefeitura de Belém
Decisões determinaram retirada de vídeos e proibiram o jornalista Adriano Wilkson de tratar publicamente de supostos contratos superfaturados e da reforma administrativa municipal.
Resumo
Sindicato de Jornalistas do Pará e Fenaj denunciam censura judicial contra o jornalista Adriano Wilkson após decisões que mandaram retirar vídeos com denúncias sobre a Prefeitura de Belém.
Notícias do Pará – O Sindicato de Jornalistas no Estado do Pará (SINJOR-PA) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram nota pública de repúdio às decisões judiciais que determinaram a retirada de conteúdos publicados pelo jornalista paraense Adriano Wilkson nas redes sociais. As postagens tratavam de denúncias relacionadas à reforma administrativa da Prefeitura de Belém e a supostos contratos superfaturados com a empresa BRA Produtora.
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As entidades classificaram as decisões como atos de censura prévia e assédio judicial, por determinarem a remoção imediata dos vídeos e proibirem o profissional de tratar publicamente dos temas investigados.
Vídeos foram retirados do ar por ordem judicial
De acordo com a nota, a decisão judicial determinou a exclusão, do perfil do jornalista no Instagram, de quatro vídeos específicos: “Igor e mídia Barbalho criam fantasia sobre salário dos professores”, “A denúncia de uma professora do Pará”, “POV: você alugou o fone mais caro do mundo” e “R$ 16 milhões num estúdio de aula online”.
Leia mais: Decisões das Justiças do Pará e do Amazonas impõem censura ao jornalista paraense Adriano Wilkson
Além da retirada do conteúdo, a ordem também impôs uma restrição direta ao jornalista, impedindo-o de abordar os assuntos relacionados às denúncias em novas publicações.
Para o sindicato e a federação, a medida extrapola os limites legais e viola princípios constitucionais ligados à liberdade de expressão e à atividade jornalística.
Denúncias envolvem reforma administrativa e contratos
As reportagens citadas nas decisões tratavam da chamada Reforma Administrativa Municipal, instituída pela Lei nº 10.266/26, apelidada por críticos de “pacote de maldades”. O conteúdo também abordava suspeitas de contratos superfaturados firmados pela gestão municipal com a empresa BRA Produtora.
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Segundo o SINJOR-PA e a Fenaj, os temas possuem evidente interesse público e deveriam ser objeto de debate aberto, sem restrições judiciais prévias.
As entidades destacaram ainda que, além da retirada das publicações, o processo corre sob segredo de justiça, o que, na avaliação das organizações, agrava a situação por limitar a transparência em temas de relevância coletiva.
Entidades prometem apoio e cobram explicações
O sindicato e a federação informaram que estão em contato direto com o jornalista para prestar apoio jurídico e institucional. As organizações afirmam considerar as decisões como arbitrárias e incompatíveis com o exercício livre da profissão.
As entidades também anunciaram que solicitarão explicações formais ao prefeito de Belém, Igor Normando, e à Prefeitura Municipal de Belém sobre as medidas adotadas no caso.
Além disso, o episódio será comunicado a entidades nacionais e internacionais de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, para acompanhamento e eventual manifestação.
Jornalista é citado como referência investigativa
Na nota, o SINJOR-PA e a Fenaj afirmam que Adriano Wilkson tem se consolidado como uma referência no jornalismo investigativo alternativo no Pará. Segundo as entidades, o profissional tem atuado na divulgação de denúncias envolvendo relações entre o poder político e empresarial, além de pautas relacionadas a trabalhadores, povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia.
Para as organizações, a atuação do jornalista reforça o interesse público das denúncias e torna ainda mais preocupante a imposição de restrições judiciais à publicação de conteúdo.
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