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Líder Munduruku cobra governo Lula durante protesto na COP30: “chega de usar nossa imagem para dizer que estamos bem”

Os Munduruku protestam contra iniciativas do governo representam uma espécie de “venda da floresta”.

Por Natan AMPOST

14/11/2025 às 10:44 - Atualizado em 14/11/2025 às 10:54

Notícias do Pará – A líder indígena Alessandra Munduruku fez, na manhã desta sexta-feira (14), discurso em manifestação na porta da COP30, em Belém (PA). Durante o protesto que bloqueou o acesso à Blue Zone — área mais restrita da conferência climática —, ela enviou um recado direto ao governo federal e denunciou o uso da imagem dos povos indígenas como ferramenta de propaganda ambiental, enquanto territórios seguem afetados por projetos desenvolvimentistas na Amazônia.

O bloqueio, iniciado por volta de 5h30, impediu a entrada e saída de delegações e autoridades credenciadas. A ação forçou o governo a abrir um canal de negociação imediata com as lideranças. Sentados no chão, sob o sol e segurando flechas, os Munduruku impediram qualquer movimentação na área. O recado, segundo Alessandra, era simples: se os povos originários não são ouvidos dentro da COP, então ninguém entra.

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Ninguém entra e ninguém sai. Porque ninguém veio para brincar. Ninguém vai tirar selfie. É o nosso corpo que está na negociação. A gente vai ficar no sol quente com essas crianças que estão doentes”, afirmou, reforçando que o protesto também denuncia a precariedade vivida nas aldeias — da falta de assistência médica ao avanço de atividades ilegais como o garimpo.

O alvo principal do discurso, porém, foi o que Alessandra classifica como contradição entre o discurso ambiental do governo brasileiro e a realidade indígena na Amazônia. “Já chega de usar nossa imagem para dizer que é sustentável. De bioeconomia que está matando nossa floresta. Já chega de usar nossa imagem para dizer que estamos bem. Nós não temos saúde, educação na nossa aldeia, nossos rios estão contaminados com mercúrio. O Estado está matando a floresta, destruindo para colocar ferrovia, hidrovia, portos”, disse.

Reivindicações contra venda da floresta

A fala expôs o acúmulo de insatisfações com projetos de infraestrutura e exploração econômica que, segundo lideranças indígenas, continuam avançando sobre territórios sensíveis. Os Munduruku reivindicam que o governo federal revogue o Decreto nº 12.600/2025, que institui o Plano Nacional de Hidrovias e elege os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos prioritários para a navegação de cargas. Além disso também pedem proteção contra grandes empreendimentos em terras indígenas.

Os indígenas afirmam que essas iniciativas são realizadas sem a consulta prévia, livre e informada, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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O Movimento Munduruku Ipereg Ayu afirmou, em comunicado, que o ato também foi uma resposta contrária aos projetos de crédito de carbono e aos mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) em escala jurisdicional, temas em discussão tanto na COP30 quanto nas mesas de negociação do governo.

Segundo o movimento, essas iniciativas representam uma espécie de “venda da floresta”, retirando o controle dos povos indígenas sobre seus territórios e permitindo a entrada de empresas e agentes externos. Eles criticam que tais propostas ignoram as causas reais da crise climática, como o desmatamento industrial, a mineração ilegal, a construção de hidrovias e a expansão da soja em larga escala.

Reunião com Lula

Apesar da pressão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estava em Belém no momento do protesto — e essa ausência também foi alvo de críticas. Alessandra destacou que, se o presidente dialoga com chefes de Estado e grandes autoridades internacionais, deveria também ouvir quem vive nos territórios vulnerabilizados pelas políticas públicas.

Se Lula é um presidente que fala com os maiores do Estado, precisa nos ouvir também. Não viemos para turistar e sim para lutar e defender nosso território”, declarou.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e a diretora executiva da COP, Ana Toni, chegaram ao local por volta das 8h30 para negociar com os manifestantes e após breve conversa a entrada da Blue Zone foi liberada pelos manifestantes.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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