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Mundurukus acusam governo Lula durante a COP 30 de vender a floresta amazônica

Indígenas Munduruku bloquearam a entrada da Blue Zone em protesto durante a COP 30.

Por Natan AMPOST

14/11/2025 às 11:05 - Atualizado em 14/11/2025 às 11:18

Notícias do Pará – O povo indígena Munduruku confronta publicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desta vez acusando a gestão federal de promover uma “venda da floresta” por meio de políticas ambientais e econômicas que, segundo eles, retiram autonomia dos povos originários e abrem caminho para a entrada de empresas em áreas tradicionais. A crítica ganhou força durante manifestações nesta sexta-feira (14) na COP30, em Belém (PA), e foi formalizada pelo Movimento Munduruku Ipereg Ayu em nota enviada a imprensa.

A principal preocupação do movimento recai sobre os projetos de crédito de carbono e os mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) em escala jurisdicional — iniciativas defendidas pelo governo como instrumentos para financiar ações de preservação. Para os Munduruku, no entanto, esses modelos criam um mercado onde a floresta e seus serviços ambientais são tratados como ativos negociáveis, sem consulta adequada às comunidades afetadas.

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Leia mais: Protesto do povo Munduruku bloqueia Blue Zone da COP30 e expõe impasse entre governo Lula e povos indígenas

Em alguns dos cartazes do grupo, era possível ler frases como “Nossa floresta não está à venda” e “Não negociamos a Mãe Natureza”.

A denúncia de “venda da floresta” ocorre simultaneamente à pressão crescente para que indígenas tenham participação efetiva nas decisões climáticas. Para os Munduruku, não basta serem convidados para painéis ou fotografias institucionais; é necessário influenciar diretamente a definição de políticas e modelos econômicos que atingem suas terras. Durante a COP30, essa cobrança se tornou mais explícita, em discursos e protestos que chamaram atenção de autoridades brasileiras e estrangeiras.,

Além dos megaempreendimentos, os Munduruku também protestam contra projetos de crédito de carbono e mecanismos de REDD+ jurisdicional que vêm sendo discutidos no âmbito da COP30 e em negociações governamentais. Para o movimento, tais iniciativas representam formas de ‘venda da floresta’ que retira autonomia dos povos, permitem a entrada de empresas e intermediários nos territórios e não enfrentam a raiz dos problemas climáticos: o desmatamento industrial, o garimpo, as hidrovias e a expansão da soja”, diz nota.

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Os Munduruku também reivindicam que o governo federal revogue o Decreto nº 12.600/2025, que institui o Plano Nacional de Hidrovias e elege os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como eixos prioritários para a navegação de cargas. Além disso também pedem proteção contra grandes empreendimentos em terras indígenas.

Reunião com Lula

Apesar da pressão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estava em Belém no momento do protesto — e essa ausência também foi alvo de críticas. A líder indígena Alessandra Munduruku destacou que, se o presidente dialoga com chefes de Estado e grandes autoridades internacionais, deveria também ouvir quem vive nos territórios vulnerabilizados pelas políticas públicas.

“Se Lula é um presidente que fala com os maiores do Estado, precisa nos ouvir também. Não viemos para turistar e sim para lutar e defender nosso território”, declarou.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e a diretora executiva da COP, Ana Toni, chegaram ao local por volta das 8h30 para negociar com os manifestantes e após breve conversa a entrada da Blue Zone foi liberada pelos manifestantes.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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