Pastora e marido são presos no Pará por maus-tratos que levaram à morte de seguidora
Polícia investiga casal suspeito de comandar seita religiosa que mantinha ao menos 13 pessoas sob domínio psicológico e físico em Belém.

Foto: Reprodução
Notícias do Pará – A Polícia Civil do Pará prendeu, na sexta-feira (4), a pastora Marleci Ferreira de Araújo e o marido, Ronnyson dos Santos Alcântara, suspeitos de liderar uma seita religiosa que submetia seguidores a maus-tratos físicos e psicológicos. Uma das vítimas, identificada como Flávia Cunha Costa, de 42 anos, morreu após anos vivendo sob as regras impostas pelo casal. A causa da morte foi desnutrição severa, segundo laudo médico.
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De acordo com as investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), o casal mantinha ao menos 13 pessoas sob domínio em uma mesma residência, onde aplicava punições, promovia isolamento e impunha privações como parte de um suposto processo de “purificação espiritual”. Entre as práticas, estavam a proibição de banhos, consumo de alimentos estragados, humilhações públicas e a entrega de bens materiais ao “ministério” liderado por Marleci.
Apesar de se apresentar como pastora, terapeuta cristã, sensitiva, psicanalista e sexóloga, Marleci não possuía formação reconhecida em nenhuma dessas áreas. A mulher utilizava também um perfil falso nas redes sociais, sob o nome de “Marcelle Débora”, para divulgar mensagens religiosas e atrair seguidores para o que chamava de “Torre do Poder”.
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Segundo relatos colhidos pela polícia, os seguidores eram induzidos a romper laços familiares, vender seus bens e entregar os valores ao casal, que vivia exclusivamente dos recursos arrecadados com a seita. Uma das testemunhas, sobrinha da pastora, relatou que viveu no local com o marido e filhos e era obrigada a realizar trabalhos domésticos e entregar grandes quantias em dinheiro. Outra mulher afirmou ter sido coagida a vender seus carros e entregar parte do valor ao casal.
A morte de Flávia Cunha Costa foi o desfecho trágico de uma série de abusos. A mulher, que vivia com o casal há mais de 10 anos, foi levada ao hospital pelo próprio casal em 15 de maio deste ano, já em estado crítico. Apresentava sinais visíveis de desnutrição e fraqueza. Questionada pelos policiais, Flávia negou os maus-tratos e afirmou manter relação de amizade com os dois. Apesar disso, os agentes constataram péssimas condições de moradia e sinais de alienação emocional.
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No dia 19 de junho, Flávia morreu. O casal a deixou no hospital sem documentos e fugiu ao ser informado da necessidade de registro de ocorrência. Após a confirmação de que a morte foi causada por desnutrição, a polícia pediu a prisão preventiva de Marleci e Ronnyson, que agora respondem por violência psicológica e maus-tratos com resultado morte. O inquérito segue sob sigilo de Justiça.
A delegada Bruna Paolucci, titular da DEAM, afirmou que os depoimentos e documentos apreendidos fortalecem a acusação contra o casal. “A investigação mostrou que havia uma autoridade psicológica exercida por esses líderes sobre as vítimas, o que permitia que mantivessem o controle absoluto sobre elas”, disse.
A defesa do casal informou que, até o momento, não irá se manifestar, pois ainda não teve acesso aos autos do processo.
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