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PF descobre que PCC usa Pará como nova base para driblar fiscalização e exportar cocaína à Europa

A Polícia Federal desvendou essa logística alternativa durante a investigação que resultou na Operação Narco Vela.

Por Natan AMPOST

02/05/2025 às 10:43 - Atualizado em 02/05/2025 às 10:44

Notícias do Pará – Traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) criaram uma nova rota para exportação de cocaína a partir do Pará, como forma de driblar a intensificação da fiscalização no Sudeste. A Polícia Federal desvendou essa logística alternativa durante a investigação que resultou na Operação Narco Vela, deflagrada na última terça-feira (29/4). O esquema revelado expôs a sofisticação do grupo, que articulava o envio de drogas à Europa por meio de embarcações que saíam do litoral brasileiro rumo à costa africana, utilizando pequenas lanchas e veleiros para o transporte.

De acordo com a PF, o grupo inicialmente utilizava pequenas embarcações que partiam do litoral paulista carregadas com cocaína. Em alto-mar, o entorpecente era transferido para veleiros, que cruzavam o Oceano Atlântico até a África, onde a carga era descarregada e distribuída no mercado europeu.

O plano funcionava até que sucessivas apreensões começaram a comprometer a operação. Em conversas interceptadas, os investigados chegaram a afirmar que o método estava “moiado”, expressão usada para indicar que o esquema havia sido comprometido. Como reação, os traficantes decidiram estabelecer uma nova base operacional na região Norte do país, mais especificamente em Belém, no Pará.

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Apreensão-chave no Mosqueiro

O ponto de virada nas investigações ocorreu em maio do ano passado, com a apreensão de 560 kg de cocaína na Ilha do Mosqueiro, em Belém. A droga foi encontrada em uma lancha KM1, ancorada na marina Marine Park. O rastreamento dos pagamentos para manutenção da embarcação e o cruzamento de informações levaram os agentes da PF a identificar a atuação de um núcleo criminoso estruturado na região Norte.

A responsável pela marina forneceu prints de conversas no WhatsApp com Klaus de Castro Rios Motta e Silva, apontado como líder do esquema no Pará, e Ivan de Freitas Santos, responsável por transportar a lancha de São Paulo até Belém.

Nova estratégia no Norte

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Segundo a Polícia Federal, Klaus coordenava um subgrupo operacional com atuação focada nos estados do Maranhão e do Pará. A estratégia visava escapar da crescente vigilância no Porto de Santos, em São Paulo, principal alvo das ações repressivas das autoridades brasileiras contra o tráfico internacional.

Além de Klaus e Ivan, também foram identificados como membros do grupo Anderson Monteiro Gomes, Julio Cesar Fernandes e Sergio Ruiz da Silva. Todos foram alvos de mandados de prisão e busca e apreensão na operação deflagrada no dia 29 de abril.

Elo com o PCC e liderança de “Jogador”

As investigações apontam uma conexão direta entre a facção criminosa e os operadores da logística do tráfico. Conversas interceptadas pela PF envolvem Gabriel Gil Bernardo, conhecido como “Jogador”, suposto líder da organização e responsável por decisões estratégicas no envio de drogas para o exterior.

A Polícia Federal sustenta que Jogador ocupa posição de liderança no PCC e atua em parceria com Adenilso Antônio dos Santos, contador que também prestava serviços para a empresa Máximo Serviços Marítimos, de propriedade de Marco Aurélio de Souza, o “Lelinho”. Considerado um dos maiores exportadores de cocaína do país, Lelinho é apontado como articulador da aliança entre o crime organizado e o setor empresarial náutico.

Negócios como fachada para o tráfico

A PF afirma que Lelinho usava sua empresa como fachada para atividades ilícitas, facilitando a compra de embarcações e a montagem de uma logística sofisticada de transporte da droga. O contador Adenilso seria peça fundamental na estrutura, atuando como elo entre Lelinho e Jogador, articulando os recursos financeiros necessários para o funcionamento da operação.

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O relatório da Polícia Federal mostra como o grupo misturava atividades legais com práticas criminosas, dificultando a detecção das operações. Contratos, notas fiscais e empresas de fachada eram utilizados para movimentar valores e adquirir embarcações sem levantar suspeitas.

Impacto e desdobramentos

A Operação Narco Vela desarticulou uma das mais bem estruturadas redes de exportação de cocaína da atualidade. A criação da base no Pará revelou a capacidade do PCC de adaptar sua logística para escapar das forças de repressão, expandindo sua influência por diferentes regiões do Brasil.

A ação coordenada da Polícia Federal incluiu cumprimento de mandados de prisão, buscas em diferentes estados e bloqueio de bens e valores dos investigados. A PF acredita que a desarticulação do núcleo do Norte representará um golpe importante na rota internacional do tráfico controlado pela facção criminosa.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas. As autoridades também buscam cooperação com agências internacionais para identificar receptores da droga na África e na Europa.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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