TRF1 determina saída de indígenas que protestam no porto de Santarém contra decreto de Lula para privatizar o Rio Tapajós
No caso, o juiz entendeu que cabe à União garantir a livre circulação em áreas sob sua jurisdição e assegurar a continuidade de serviços.
Por Jonas Souza
19/02/2026 às 15:13 - Atualizado em 15/05/2026 às 10:51
Resumo da IA
Este resumo foi gerado automaticamente por inteligência artificial.
Resumo
O TRF1 revogou decisão concedida em plantão e manteve a ordem para desocupação das vias de acesso ao porto de Santarém (PA), ocupadas por indígenas. Mesmo com a determinação judicial, o protesto continua e já inclui ações no rio Tapajós.
Notícias do Pará – O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) revogou a decisão proferida em plantão judiciário e manteve a ordem para desocupação das vias de acesso ao porto de Santarém, no oeste do Pará, atualmente ocupadas por indígenas de 14 etnias das regiões do Baixo, Médio e Alto Tapajós que protestam pela revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que autoriza a privatização de rios da Amazônia.
Os povos indígenas temem os impactos da dragagem do Rio Tapajós sobre os modos de vida em suas aldeias, entre eles, a escassez de peixes e a contaminação da água. Os manifestantes erguem faixas com as frases: “decreto da morte e o Rio Tapajós não é mercadoria“.
A nova decisão foi assinada pelo juiz federal convocado Shamyl Cipriano e restabelece a determinação da Justiça Federal que previa a retirada forçada no prazo de 48 horas.
Revogação de decisão anterior
O magistrado derrubou entendimento do desembargador federal Marcus Vinicius Reis Bastos, que havia suspendido a desocupação durante o plantão judicial. Os recursos que motivaram a análise haviam sido apresentados pelo Ministério Público Federal e pela Defensoria Pública da União.
Ao analisar o caso, o juiz entendeu que cabe à União garantir a livre circulação em áreas sob sua jurisdição e assegurar a continuidade de serviços concedidos.
Protesto pode continuar, diz decisão
Apesar de manter a ordem para liberar o acesso ao porto, o magistrado destacou que a medida não impede a continuidade das manifestações indígenas iniciadas em 22 de janeiro.
Segundo ele, a decisão judicial impõe dever de atuação à administração federal para restabelecer a ordem pública, mas não cria obrigações diretas aos manifestantes sem que eles integrem formalmente o processo.
Interceptação de balsa no Tapajós
Mesmo após a decisão, o movimento segue ativo. Nesta quinta-feira (19), cerca de 400 indígenas em quatro embarcações interceptaram uma balsa de grãos no Rio Tapajós, em Santarém.
A embarcação faz parte da logística de escoamento de soja pelo Arco Norte e está atracada no terminal da multinacional Cargill.
Mobilização ganha reforço
A ocupação terrestre já dura 29 dias e recebeu reforço de representantes dos povos Kayapó e Panará, vindos da região do Alto Xingu. Segundo a coordenação do movimento, cerca de 1,2 mil indígenas participam do protesto.
Os bloqueios na BR-163 impedem a circulação de caminhões, cargas e pessoas no perímetro sob concessão portuária.
Reivindicação contra decreto
Indígenas de 14 etnias do Baixo, Médio e Alto Tapajós pedem a revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que inclui a hidrovia do Tapajós no Plano Nacional de Desestatização.
As comunidades temem impactos da dragagem do rio sobre seus modos de vida, incluindo redução de peixes e possível contaminação da água.
Governo afirma manter diálogo
Em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o governo federal mantém diálogo com lideranças indígenas por meio do Ministério dos Povos Indígenas, da Funai e da Secretaria-Geral da Presidência.
O governo afirma que nenhuma iniciativa de concessão ou dragagem avançará sem a realização da Consulta Prévia, Livre e Informada, conforme a Convenção 169 da OIT.
Já o DNIT informou que identificou sete pontos críticos que necessitam de dragagem no rio e que elabora estudos e plano de controle ambiental. A Secretaria de Meio Ambiente do Pará declarou que não há pedido protocolado para autorização de dragagem no Tapajós.
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