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Paraense que viveu fome e vigilância em campo de refugiados na Síria retorna ao Brasil

Segundo a DPU, Karina passou fome, foi submetida a isolamento em uma espécie de solitária.

Por Jonas Souza

29/08/2025 às 14:31

Notícias do Pará  – A Defensoria Pública da União (DPU) revelou, nesta quinta-feira (28), as condições precárias enfrentadas pela brasileira Karina Ailyn Raiol Barbosa, que viveu durante nove anos em um campo de refugiados no norte da Síria antes de ser repatriada ao Brasil.

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Segundo a DPU, Karina passou fome, foi submetida a isolamento em uma espécie de solitária e chegou a ficar separada do filho de sete anos. O defensor regional de Direitos Humanos no Pará, Marcos Teixeira, afirmou que a jovem era considerada uma “pessoa vigiada” dentro do campo, por já ter tentado fugir em diferentes ocasiões.

“Em alguns momentos a família perdeu o contato com ela porque estava numa solitária. Isso deixava todos desesperados, pois ficavam sem notícias por longos períodos”, explicou o defensor.

Saída do Brasil e desaparecimento

Karina tinha 20 anos quando deixou o Brasil, em abril de 2016, sem avisar aos pais. A Polícia Federal confirmou que ela embarcou em São Paulo em um voo com escalas no Marrocos e em Istambul. Um ano antes, a jovem havia se convertido ao islamismo após iniciar curso de árabe e frequentar uma mesquita em Belém, onde estudava jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA).

Segundo a família, Karina era reclusa e tímida. Ela saiu de casa apenas com um casaco fino e sandálias, sem levar mala. O último contato antes do desaparecimento ocorreu por telefone, quando ela revelou estar com medo e evitou dizer onde estava.

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Tentativas de repatriação

A família procurou a DPU em 2019, relatando que Karina demonstrava interesse em retornar ao Brasil. Um ano depois, a Defensoria entrou com ação judicial pedindo que o governo brasileiro adotasse medidas para sua repatriação.

No entanto, as negociações foram complexas, já que os curdos — responsáveis pelo campo de refugiados — não são reconhecidos oficialmente pelo Estado brasileiro. Essa condição dificultava tratativas diplomáticas, diferentemente do que ocorre em casos envolvendo países que mantêm relações formais, como a Indonésia.

“Ela perguntava constantemente sobre quando seria repatriada, pois via pessoas de outras nacionalidades saindo do campo”, disse o defensor.

Sem envolvimento com terrorismo

A DPU afirma que não há provas de que Karina tenha se associado ao Estado Islâmico ou a qualquer organização terrorista. “Ela ficou anos nesse campo de concentração sem nenhuma ação do Estado Islâmico para resgatá-la. Ou seja, não há envolvimento nenhum”, destacou Marcos Teixeira.

Retorno ao Brasil

Karina e o filho desembarcaram no Aeroporto Internacional de Guarulhos na quarta-feira (27). O retorno encerra quase uma década de incertezas e sofrimento para a família, que acompanhou de longe o drama da jovem em um dos cenários mais hostis do Oriente Médio.

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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