Corpos de traficantes amazonenses mortos no Rio já foram liberados pelo IML
Familiares denunciam execuções e questionam a alta letalidade, enquanto o governo fluminense sustenta a operação.
- Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP
Notícias Policiais – O Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro (IML-RJ) informou, no fim da tarde deste sábado (1º/11), que as últimas famílias das pessoas mortas na Operação Contenção — do governo do Estado do Rio — nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte, já receberam autorização para a retirada dos corpos. Entre eles, estão os dois traficantes do Amazonas Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato”, e Francisco Myller Moreira da Cunha, o “Gringo”, apontados como ligados ao Comando Vermelho.
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Os parentes relataram alívio pelo fim da busca, mas também indignação com a tragédia. Grávida, Karine Beatriz, 26, esteve no IML para reconhecer o corpo do esposo, Wagner Nunes Santana, após três dias de procura na mata. Na sexta-feira, segundo ela, o corpo foi retirado de um lago na Serra da Misericórdia, na Penha. Karine questionou a alta letalidade das operações no Rio e descreveu uma comunidade abalada.
Ela afirmou que, independentemente dos erros, o companheiro era pai de família e trabalhador, responsável pelo sustento de casa e cuidados com as crianças. Lembrou que ele havia ajudado a erguer uma casa na comunidade e cuidava da enteada de 9 anos, inclusive fazendo o “cabelo maluco” para a escola. Segundo Karine, Wagner tinha um tiro na testa; a polícia não esclareceu as circunstâncias. Ela também denunciou execuções e disse que o enterro será de caixão fechado.
De acordo com o balanço mais recente da Operação Contenção, divulgado na sexta, 99 pessoas foram identificadas pelo IML; 42 tinham mandado de prisão pendente e 78 envolvimento com o crime. Treze eram de outros estados (Pará, Bahia, Amazonas, Ceará, Paraíba e Espírito Santo). O governo fluminense justificou a ação como contenção da expansão do Comando Vermelho e citou treinamento em armamento e explosivos e fluxo de 10 toneladas de drogas por mês na região. Apesar das críticas, o governador Cláudio Castro defendeu a operação e disse que os relatórios serão entregues às autoridades.
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