Grupo criminoso é preso após usar inteligência artificial para clonar rostos e financiar carros em nomes de vítimas no Amazonas
Segundo a PC-AM, a organização criminosa é responsável pelo 1º caso de deepfake no Amazonas.
- Foto: Divulgação
Notícias policiais – Um esquema criminoso que utilizava inteligência artificial para clonar rostos e aplicar golpes milionários foi desarticulado nesta semana durante a Operação Holograma, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas em parceria com forças de São Paulo e Minas Gerais. O caso é considerado o primeiro registro oficial no estado de clonagem de biometria facial com uso de IA, abrindo um alerta sobre os riscos de tecnologias quando utilizadas por organizações criminosas.
As investigações começaram há cerca de dois meses, após vítimas denunciarem que veículos zero quilômetro haviam sido financiados em seus nomes, sem que tivessem realizado qualquer transação. A surpresa veio durante a apuração: vídeos e imagens usados nas autorizações de crédito foram submetidos à perícia e apontaram que 99% do material havia sido produzido artificialmente, por meio de um recurso conhecido como “plástica digital”.
Como funcionava o golpe
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O grupo criminoso atuava em diferentes etapas. Primeiro, coletava informações pessoais em bancos de dados e redes sociais. Documentos e fotografias eram extraídos e depois inseridos em softwares de inteligência artificial capazes de gerar hologramas altamente realistas, reproduzindo as características faciais das vítimas.
Esses hologramas eram usados em videochamadas exigidas por concessionárias durante o processo de financiamento de veículos. Do outro lado da tela, os funcionários acreditavam estar em contato com o verdadeiro solicitante, autorizando a liberação do crédito.
Após a aprovação, os criminosos adquiriram veículos totalmente financiados. A investigação revelou que os automóveis eram enviados principalmente para Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG), onde eram revendidos.
Prisões em três estados
Com as provas reunidas, a Justiça autorizou o cumprimento de três mandados de prisão e quatro de busca e apreensão. Em Ribeirão Preto, foram detidos um homem de 38 anos e uma mulher de 32 anos. Ela seria a responsável por retirar os veículos no Amazonas e remetê-los em cegonhas para outros estados.
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Em Uberlândia, uma terceira envolvida, de 29 anos, também foi presa. A mulher já tinha passagem pela polícia por tentativa de homicídio registrada em 2016. Durante as diligências, os agentes recuperaram três carros novos, além de celulares, computadores e documentos ligados ao esquema. Todo o material apreendido será periciado para identificar outros possíveis envolvidos.
Alerta sobre riscos da IA
De acordo com o delegado Cícero Túlio, responsável pela investigação, a sofisticação do golpe acende um sinal de alerta para consumidores e instituições financeiras.
“Estamos diante de um caso inédito no Amazonas. A clonagem de biometrias faciais utilizando inteligência artificial mostra que a criminalidade acompanha o avanço tecnológico e exige que as autoridades estejam atentas para novos métodos de fraude”, destacou.
Ele acrescentou que existem indícios de que o grupo tenha conexões com uma organização criminosa do Sudeste e que os veículos poderiam até ser usados para o transporte oculto de drogas.
Próximos passos
Os presos foram encaminhados para audiências de custódia em suas comarcas e permanecem à disposição da Justiça. Eles responderão pelos crimes de estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e falsidade ideológica.
Enquanto isso, a Polícia Civil segue investigando para identificar outros integrantes do esquema e ampliar a rede de responsabilização. O caso também deve servir de parâmetro para futuros julgamentos, já que envolve o uso direto de inteligência artificial em fraudes de grande escala.
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