“Há um grande mistério em torno deste caso”, diz delegado sobre a adolescente que foi torturada e morta em Manaus
Polícia descarta ligação dela com o crime organizado.
- Foto: Reprodução
A morte da adolescente Izabele Dinelly Martins, de apenas 15 anos, se tornou um dos casos mais chocantes e misteriosos dos últimos dias em Manaus, e vem mobilizando esforços da Polícia Civil do Amazonas para desvendar o que realmente aconteceu na madrugada em que ela foi brutalmente agredida. A jovem foi vítima de tortura e faleceu horas depois em uma unidade hospitalar da zona leste da capital.
A adolescente havia chegado recentemente a Manaus, onde passava férias com familiares. Natural do município de Maués, distante 276 quilômetros da capital, Izabele desapareceu na noite da última sexta-feira (25), por volta das 20h, após sair da casa da tia no bairro Santo Agostinho, zona oeste da cidade. Desde então, familiares iniciaram buscas por informações sobre seu paradeiro.
De acordo com o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a investigação trabalha com poucas pistas concretas. O que se sabe até o momento é que a jovem foi deixada, por volta da meia-noite, na rua Cruzeiro do Sul, localizada no bairro Compensa, uma das áreas mais perigosas da cidade e sob influência de facções criminosas.
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“Há um grande mistério em torno deste caso. Essa jovem foi deixada por volta de meia noite na rua Cruzeiro do Sul no bairro Compensa, área vermelha perigosíssima, dominada por facções criminosas e desde então não sabemos para onde ela foi, com quem conversou. O fato é que de meia noite até 4h da manhã do mesmo dia essa jovem foi torturada e gravemente ferida. O Samu foi acionado, pega ela e socorre levando para uma unidade hospitalar“, disse o delegado Ricardo Cunha em entrevista ao Portal AM POST.
O corpo de Izabele só foi identificado pelos familiares nessa quarta-feira (30), no Instituto Médico Legal (IML), aumentando ainda mais a dor e a perplexidade da família diante da brutalidade do caso.
Polícia descarta envolvimento da vítima com facções
Com a ampla repercussão nas redes sociais, surgiram boatos de que a adolescente poderia ter ligações com o tráfico de drogas, hipótese prontamente descartada pela Polícia Civil. “Izabele não tinha nenhum histórico criminal, nem passagens por delegacias. Era uma jovem sem envolvimento com o mundo do crime. Não há qualquer evidência de participação dela em atividades ilícitas”, esclareceu o delegado Cunha.
O caso, inicialmente tratado como desaparecimento pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), foi transferido para a DEHS após a constatação das agressões e da morte. A partir daí, o inquérito passou a tramitar como homicídio qualificado, com indicativos de tortura.
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Linha do tempo da tragédia
Sexta-feira (25/07): Izabele desaparece após sair da casa da tia por volta das 20h.
Sábado (26/07): É deixada na rua Cruzeiro do Sul, Compensa, por volta de 0h. Sofre agressões até aproximadamente 4h.
Sábado, 5h30: SAMU a socorre e a leva ao Hospital João Lúcio.
Domingo (27/07): Adolescente morre às 11h30 devido à gravidade das lesões.
Quarta-feira (30/07): Corpo é reconhecido por familiares no IML.
A DEHS apura todas as circunstâncias do crime, inclusive se a adolescente foi atraída para uma emboscada ou se estava com pessoas que a colocaram em situação de risco. As autoridades analisam câmeras de segurança da região e aguardam os laudos da perícia para traçar o perfil exato das lesões sofridas pela jovem.
Ajuda da população é essencial
A polícia solicita o apoio da população para esclarecer o caso. Informações que ajudem na identificação dos agressores ou que indiquem o paradeiro de testemunhas podem ser repassadas de forma anônima pelos canais oficiais da DEHS: pelo telefone (92) 98118-9535 ou pelo disque-denúncia 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). O sigilo é garantido.
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