Justiça revoga prisão do delegado Adriano Félix, investigado por sequestro e tortura em operação da PF
Apesar da revogação da prisão, Adriano Félix deverá cumprir medidas cautelares, como o afastamento de funções públicas.
Notícias de Polícia – O delegado Adriano Félix, titular do 22º Distrito Integrado de Polícia (DIP) da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), teve a prisão revogada pela Justiça de Roraima. Ele foi um dos alvos da Operação Jeremias 22:17, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga crimes de sequestro e tortura cometidos contra um homem em Caracaraí, no estado de Roraima.
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A decisão, assinada pela juíza Noêmia Cardoso, considerou que o delegado não representa mais riscos à coleta de provas na investigação. “No caso concreto, o fundamento central da medida — a preservação da investigação — encontra-se superado, não havendo, até o momento, qualquer elemento concreto que indique que a liberdade dos investigados possa comprometer a apuração dos fatos”, afirmou a magistrada.
Apesar da revogação da prisão, Adriano Félix deverá cumprir medidas cautelares, como o afastamento de suas funções públicas na Polícia Civil do Amazonas. Os demais policiais do estado, também alvos da operação, continuam presos.
Operação Jeremias 22:17
A investigação conduzida pela PF aponta que policiais civis do Amazonas, com apoio de agentes de Roraima, teriam sequestrado e torturado um homem durante uma apuração sobre o roubo de uma carga de cassiterita — minério usado na produção de ligas metálicas — extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.
Segundo a PF, o grupo criminoso, supostamente integrado pelos policiais, atuava de forma organizada, realizando escoltas clandestinas de cargas de minérios, oferecendo serviços ilegais de segurança, além de promover investigações paralelas.
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A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão temporária expedidos pelo Tribunal de Justiça de Roraima. As ações ocorreram nos estados do Amazonas, Roraima, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul.
Detalhes do crime
O sequestro ocorreu em 8 de fevereiro de 2023, na vicinal 3, em Caracaraí. Conforme relatos, a vítima, acompanhada de seu pai, foi abordada por três homens que se identificaram como policiais civis e solicitaram informações sobre a vicinal 4, alegando que havia uma briga no local.
A vítima, em uma motocicleta, acompanhou os suspeitos até o local indicado, onde foi rendida, algemada e submetida a agressões físicas, incluindo tapas, choques elétricos e ameaças. Os policiais ainda ameaçaram incendiar sua motocicleta caso ele não colaborasse.
Em seguida, a vítima foi levada até os municípios de Iracema e Mucajaí, onde foi pressionada a fornecer informações sobre o suposto roubo de um caminhão graneleiro que transportava cassiterita. Durante o percurso, outros três homens, identificados como integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), também participaram da abordagem, chegando a recolher o celular da vítima para averiguação.
Após a ação, o homem foi libertado e recebeu R$ 60 para retornar a Caracaraí de ônibus. Dois policiais civis do Amazonas foram presos à época, após denúncias.
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