Maior facção da venezuelana expande atuação e já opera em seis estados do Brasil
Declarado “inimigo de guerra” pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o grupo se infiltra no Brasil.
- Foto: Divulgação/ Secretaria de Prensa de la Presidencia de El Salvador
Notícias policiais – A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua, considerada uma das mais perigosas da América Latina, já está presente em pelo menos seis estados brasileiros, segundo informações da Polícia Civil de Roraima. Declarado “inimigo de guerra” pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o grupo se infiltra no Brasil por meio de estratégias que envolvem disfarce, alianças com facções locais e aproveitamento de políticas de acolhimento a refugiados.
A maior concentração do Tren de Aragua no Brasil se encontra em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela e que tem sido porta de entrada para milhares de imigrantes venezuelanos que fogem da crise humanitária no país governado por Nicolás Maduro. Disfarçados de refugiados, membros da facção utilizaram a *Operação Acolhida* – programa federal de interiorização e apoio humanitário – para se dispersar estrategicamente pelo território nacional.
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Segundo autoridades policiais, após entrarem no Brasil, os criminosos se deslocaram para grandes centros urbanos. Há presença confirmada da facção em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nessas regiões, o Tren de Aragua teria estabelecido alianças com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas maiores facções do país.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as parcerias com o PCC e o CV facilitaram a integração da facção venezuelana ao tráfico local. O grupo passou a atuar como fornecedor de armas e operador logístico no transporte de cocaína vinda da Colômbia, passando pela Venezuela até chegar aos estados brasileiros.
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O caso mais alarmante está em Roraima, onde o crescimento da facção foi visivelmente acompanhado de um aumento na violência. Dados oficiais apontam que o número de homicídios em Boa Vista, capital do estado, saltou de 90, em 2020, para 127 em 2021. O aumento coincide com a consolidação do grupo em pontos de venda de drogas na cidade e a disputa territorial com outras organizações criminosas.
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O avanço do Tren de Aragua no Brasil preocupa autoridades de segurança pública. Em entrevista recente, representantes da Polícia Civil de Roraima alertaram para a sofisticação da facção, que atua com uma estrutura organizada e táticas que incluem diplomacia entre grupos rivais, envio de “representantes” a outros estados e uso da migração como fachada para expandir suas operações.
A cooperação com facções brasileiras também representa um salto qualitativo nas atividades da organização. De acordo com investigações em andamento, o Tren de Aragua está envolvido na logística do tráfico internacional de drogas e na distribuição de armas de grosso calibre para os parceiros brasileiros. A rota mais utilizada cruza a fronteira venezuelana até a Colômbia, principal fornecedor de cocaína, e dali segue por meios clandestinos até chegar aos estados do Norte e Sudeste do Brasil.
A facção, que surgiu dentro das prisões venezuelanas, ganhou notoriedade por controlar diversas atividades criminosas, como sequestros, extorsões, assassinatos por encomenda e tráfico de pessoas. No Brasil, os integrantes replicam o mesmo modelo de atuação, com forte presença em comunidades carentes e utilização de redes sociais para recrutar novos membros.
A presença do grupo em território nacional impõe desafios para as forças de segurança brasileiras, que enfrentam limitações na cooperação internacional, especialmente com o governo de Nicolás Maduro. A ausência de uma interlocução eficaz entre os países dificulta a troca de informações e a extradição de criminosos procurados.
Especialistas em segurança alertam que o Brasil precisa rever urgentemente os mecanismos de controle na fronteira e aprimorar o sistema de triagem de refugiados para evitar que criminosos utilizem brechas humanitárias como passagens livres para o crime organizado. Além disso, defendem maior integração entre os estados para o compartilhamento de inteligência e ações conjuntas contra facções transnacionais.
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