Menino que morreu após cair de apartamento tinha alto grau de autismo e quase não se comunicava, diz delegado em Manaus
Delegado afirma que menino de 11 anos tinha alto grau de autismo, praticamente não verbalizava e que, até o momento, não há indícios de negligência da família.
- (Foto: Denivaldo Oliveira/AM POST)
Resumo
- Pietro Farias da Silva, de 11 anos, morreu após cair do 5º andar do Condomínio Life Parque Dez, em Manaus.
- Segundo a Polícia Civil, o menino tinha grau elevado de autismo e apresentava severas limitações de comunicação.
- A investigação aponta inicialmente para uma morte acidental, sem indícios de negligência da mãe ou da irmã.
- Perícia analisa rompimento da rede de proteção da varanda para esclarecer a dinâmica da queda.
Notícias policiais – A investigação sobre a morte de Pietro Farias da Silva, de 11 anos, após queda de prédio ganhou novos detalhes nesta terça-feira (30). Em entrevista ao Portal AM POST, o delegado Gerson Oliveira, do 23º Distrito Integrado de Polícia (DIP), revelou que o menino possuía um grau elevado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que, segundo ele, limitava significativamente sua comunicação e autonomia.
“Segundo as informações que a gente teve da própria mãe, a criança tinha um grau de autismo bastante alto, tanto que ele praticamente não verbalizava. Ele só repetia as palavras que as pessoas falavam. Então, ele tinha muitas limitações por causa do transtorno do espectro autista“, afirmou o delegado.
O policial também informou que, neste momento, o caso é tratado como uma fatalidade.
“A princípio, nós estamos tratando como uma morte acidental. Nós não percebemos, até agora, que houve negligência da parte da mãe ou mesmo da irmã, que era adolescente, nos cuidados com a criança“, declarou.
Como aconteceu a queda do menino?
O acidente ocorreu na manhã desta terça-feira no Condomínio Life Parque Dez, localizado na Avenida Tancredo Neves, no bairro Parque Dez, zona Centro-Sul de Manaus.
Segundo o delegado, a mãe saiu de casa por volta das 6h30 para realizar um exame admissional de um emprego. Pietro permaneceu no apartamento acompanhado da irmã adolescente, que ainda estava dormindo quando ouviu barulhos vindos do imóvel.
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Inicialmente, ela acreditou que o irmão estivesse caminhando pelo apartamento. Ao não encontrá-lo, desceu até a área externa do condomínio, onde foi informada de que o menino havia caído do quinto andar.
O Samu chegou a socorrer a criança?
Sim. Conforme relatado pelo delegado, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) encontraram Pietro ainda com sinais vitais e iniciaram imediatamente as manobras de reanimação.
“Quando a criança caiu, ela ainda reagia e podia ser ouvida. O Samu tentou reanimá-la e realizou os procedimentos necessários, mas infelizmente ela morreu ainda no local”, explicou Gerson Oliveira.
Após a confirmação do óbito, a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados.
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O que a perícia encontrou na varanda?
Um dos principais pontos investigados é o rompimento da rede de proteção instalada na varanda do apartamento.
Segundo o delegado, a rede apresentava três pontos de rompimento, localizados nos cantos superiores e na parte inferior direita.
Os peritos recolheram fragmentos do material para verificar se houve desgaste natural ou se a estrutura foi rompida por algum instrumento cortante.
“Não encontramos nenhum instrumento cortante no local, mas tudo nos leva a crer que a criança tenha forçado a tela até romper as guias que a sustentavam“, afirmou.
Qual é a principal hipótese da investigação?
De acordo com a Polícia Civil, a principal linha investigativa considera que Pietro tenha arremessado um travesseiro pela abertura formada na rede e, em seguida, tentado recuperá-lo.
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O objeto foi encontrado próximo ao corpo da vítima.
Segundo o delegado, a própria mãe informou que o menino costumava jogar objetos e depois tentar buscá-los.
“A mãe supõe que ele tenha jogado o travesseiro para depois ir atrás dele. Era um comportamento que ele costumava apresentar“, disse.
Já havia ocorrido outro episódio envolvendo a criança?
Durante a entrevista, o delegado confirmou que havia registro anterior de uma situação de risco envolvendo Pietro.
Segundo ele, no ano passado, o menino foi visto pendurado em uma janela do apartamento. Após esse episódio, os moradores instalaram uma trava de segurança que impedia a abertura daquela janela.
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A investigação constatou que a janela permanecia travada e que o único acesso à área externa do imóvel era pela varanda onde ocorreu o acidente.
A Polícia investiga negligência?
Neste momento, a Polícia Civil afirma que não há elementos que indiquem negligência por parte da mãe ou da irmã adolescente.
O delegado ressaltou, entretanto, que todas as circunstâncias continuam sendo apuradas.
“A gente não pode excluir a responsabilidade dos pais pela segurança dos filhos. Mas também não é possível controlar tudo o que acontece. Aparentemente, nesse caso, foi uma fatalidade e um evento inevitável”, concluiu.
Acidentes em apartamentos exigem prevenção permanente
Especialistas em segurança alertam que redes de proteção devem passar por inspeções periódicas, principalmente em apartamentos onde vivem crianças ou pessoas com deficiência. Também é recomendada a instalação de travas em janelas e portas de acesso às sacadas, além da supervisão constante de menores, especialmente daqueles com limitações cognitivas ou comportamentais.
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Declaração de Transparência
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