Chantagem envolvia mensagens e imagens pessoais
Segundo as investigações, a vítima procurou a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência (BO) após passar a ser pressionada pela suspeita. A mulher teria usado informações sensíveis, incluindo supostas conversas privadas e imagens, como forma de ameaçar o homem e forçá-lo a realizar o pagamento.
A prática criminosa se baseava na exploração emocional e no medo de exposição pública, um tipo de golpe cada vez mais comum em ambientes digitais, especialmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas.
Prisão preventiva e apreensão de celular
Com base nas provas reunidas durante a investigação, a Justiça decretou a prisão preventiva de Ana Milena Santos dos Santos, que foi localizada e detida no bairro Terra Nova, em Borba. Durante a ação, o celular da suspeita foi apreendido e será submetido à perícia, mediante autorização judicial, para extração de dados.
A análise do conteúdo armazenado no aparelho deve auxiliar na identificação de possíveis outras vítimas e na verificação de eventuais novas tentativas de extorsão.
Ligação com grupo criminoso investigado
De acordo com a polícia, os dados utilizados pela suspeita estavam armazenados no celular de seu companheiro, apontado como integrante de um grupo criminoso desarticulado durante a Operação Mordaça, deflagrada em março de 2025.
O homem, que era investigado por envolvimento em crimes de difamação e extorsão por meio das redes sociais, morreu em confronto com a polícia durante uma tentativa de cumprimento de mandado de prisão no mês anterior. Após a morte dele, a investigada teria permanecido em posse do aparelho e passado a utilizar as informações ali contidas para praticar novas extorsões.
Operação Mordaça e histórico de crimes digitais
A Operação Mordaça revelou a atuação de um grupo criminoso responsável por divulgar informações difamatórias sobre vítimas e, posteriormente, exigir dinheiro para cessar a exposição pública. A organização atuava principalmente no ambiente digital, utilizando redes sociais como ferramenta para pressionar e constranger alvos.
O caso atual é tratado como um desdobramento direto dessa investigação, levantando suspeitas de que a prática possa ter sido mantida mesmo após a desarticulação do grupo.
Suspeita permanece à disposição da Justiça
A mulher responderá formalmente pelo crime de extorsão, passará por audiência de custódia e permanecerá à disposição do Poder Judiciário. As autoridades continuam apurando se ela agiu sozinha ou se há outros envolvidos na prática criminosa.
O avanço das investigações deve esclarecer a extensão do esquema e se outras pessoas foram vítimas do mesmo tipo de chantagem no interior do Amazonas.