PM é preso após atirar em pescadores e intimidar vítimas em Maraã, no Amazonas
Justiça decretou prisão preventiva por tentativa de homicídio e coação de testemunhas após pedido do MPAM.
- Foto: ChatGpt
Resumo
A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de um policial militar acusado de tentar matar dois pescadores a tiros no município de Maraã. O agente também é investigado por intimidação de vítimas após comparecer fardado ao hospital, segundo denúncia do Ministério Público.
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Um episódio de extrema violência levou à prisão preventiva de um policial militar no município de Maraã, no interior do Amazonas. O agente é acusado de tentativa de homicídio e intimidação de testemunhas após efetuar disparos de arma de fogo contra dois homens que pescavam em uma canoa, no último dia 14 de janeiro.
De acordo com os relatos das vítimas, o policial surgiu repentinamente e ordenou que a embarcação fosse parada. Como não o conheciam e não identificaram autoridade no momento da abordagem, os pescadores continuaram a remar. Em seguida, o acusado sacou uma arma de fogo e iniciou os disparos.
Disparos sem motivação e vítima ferida
Segundo o depoimento das vítimas, quatro tiros foram efetuados. O último atingiu um dos homens na perna, fazendo com que ele permanecesse ferido e sangrando dentro do rio. O outro pescador pediu ajuda ao policial para socorrer o amigo baleado, mas, conforme o relato, o agente teria rido da situação.
As investigações apontam que os pescadores estavam desarmados e não ofereceram qualquer ameaça. Para o Ministério Público, não houve justificativa plausível para a conduta violenta do policial.
Intimidação no hospital agrava o caso
O caso ganhou contornos ainda mais graves horas depois. Conforme apurado, o policial foi até o hospital onde as vítimas recebiam atendimento médico, já fardado, numa tentativa clara de intimidá-las. No local, ele teria acusado os pescadores de furtar um motor e uma tampa de gasolina, versão contestada pelas vítimas.
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Para o Ministério Público, a ida ao hospital caracteriza tentativa de coação e uso da função pública para constranger vítimas e familiares, além de interferir no andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Fundamentação do pedido de prisão
O pedido de prisão preventiva foi feito pelo Ministério Público do Amazonas, com base na gravidade dos fatos, no risco à ordem pública e na necessidade de proteger as vítimas. Segundo o promotor Marcos Túlio Pereira Correia Júnior, o policial atirou sem qualquer razão contra cidadãos desarmados e, posteriormente, tentou intimidar a família da vítima ferida.
“Além de atirar, ele ainda foi ao hospital para intimidar as vítimas, o que demonstra risco concreto de interferência nas investigações”, destacou o promotor.
Justiça aponta risco às vítimas
A decisão que decretou a prisão preventiva foi assinada pelo juiz Daniel do Nascimento Manussakis, no último sábado (17/01). O magistrado considerou os depoimentos das vítimas, o laudo de exame de corpo de delito e o fato de todos os envolvidos residirem na mesma localidade, o que aumenta a vulnerabilidade das vítimas caso o acusado permanecesse em liberdade.
A Justiça entendeu que a prisão é necessária para garantir a ordem pública, a segurança das vítimas e a regularidade da investigação.
Investigação segue em andamento
O policial militar permanece à disposição da Justiça e responderá pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e intimidação de testemunha/vítima, conforme previsto no Código Penal.
O caso gerou forte repercussão em Maraã e reacendeu o debate sobre o uso indevido da força e a responsabilidade de agentes públicos. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes da ocorrência e eventuais responsabilidades adicionais.
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