O documento de indiciamento foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Amazonas e ao Ministério Público do Amazonas na última terça-feira (6).
Foram indiciados os guardas municipais Guilherme Pinheiro Braide, Hawan Lima Aguiar e Ataíde Fernandes Romeiro Junior.
Bruno foi atingido por disparos de arma de fogo na madrugada de 26 de fevereiro, no beco União. Segundo familiares, o jovem retornava do trabalho quando entrou no local para encontrar um amigo e acabou baleado.
Laudos e depoimentos embasaram o indiciamento
De acordo com o relatório da Polícia Civil, os três agentes passaram por exame residuográfico no dia do caso. O resultado apontou presença de partículas metálicas de chumbo em Hawan Lima Aguiar e Ataíde Fernandes Romeiro Junior. Guilherme Pinheiro Braide teve resultado negativo no exame.
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No inquérito, a polícia afirma que as investigações reuniram elementos suficientes para o indiciamento por homicídio e que não foram identificadas circunstâncias que justificassem a ação.
O caso já tramita na Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.
Na época da ocorrência, familiares da vítima afirmaram que moradores da região presenciaram os disparos. A tia de Bruno, Jaqueline Girão, declarou que testemunhas ouviram os tiros e relataram que o jovem teria sido baleado pelas costas.
Protestos e posicionamento da Guarda Municipal
Após a morte do jovem, moradores do bairro Compensa realizaram manifestações pedindo justiça. Durante o protesto, a Avenida Brasil foi interditada com pneus e colchões queimados.
Na ocasião, a Guarda Municipal de Manaus informou que a equipe atendia uma denúncia quando ouviu disparos de arma de fogo e que Bruno já teria sido encontrado ferido no chão quando os agentes chegaram ao local.
A corporação também declarou que os guardas prestaram socorro à vítima e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Bruno chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.
Em nota divulgada após o indiciamento, a Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social informou que os três agentes seguem afastados das atividades operacionais e exercem apenas funções administrativas internas e desarmadas.
Defesa da família cobra transparência nas investigações
A advogada da família, Nicolly Cavalcante Menezes, afirmou que o indiciamento representa um avanço importante na busca por justiça.
Segundo a defesa, a investigação encontrou indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. A advogada também criticou a falta de transparência durante o andamento das apurações.
Já a Semseg afirmou que o indiciamento se baseou principalmente em depoimentos de testemunhas e destacou que o exame residuográfico apontou apenas partículas isoladas de chumbo, o que, segundo o Instituto de Criminalística, não seria suficiente para comprovar tecnicamente a realização de disparos de arma de fogo.
A Prefeitura de Manaus declarou que continuará acompanhando o caso e colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações.