Policiais militares são acusados de abordagem racista contra filhos de diplomatas no Rio de Janeiro; assista
O incidente foi reportado ao Itamaraty e aos consulados do Canadá, Gabão e Burkina Faso, países de origem dos três jovens negros.
- Foto: reprodução
Policiais militares do Rio de Janeiro estão sendo acusados de realizar na quarta-feira (3) abordagem policial violenta e racista contra quatro adolescentes – três negros e um branco – em Ipanema, zona sul da capital fluminense, que são parentes de diplomatas do Canadá e do jornalista Guga Noblat.
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Noblat publicou o caso nas redes sociais e revelou que o jovem branco é seu sobrinho de 13 anos. Os outros adolescentes, negros, têm entre 13 e 14 anos e são filhos de diplomatas do Canadá, Gabão e Burkina Faso. Noblat divulgou vídeo das câmeras de segurança e um relato de Rhaiana Rondon, sua cunhada e mãe do menino abordado.
Conforme imagens de câmeras de segurança do condomínio que filmaram a abordagem, os adolescentes chegaram ao local, um deles sobe, logo após, um ônibus passou e, em seguida, uma viatura da PM, do tipo veraneio com o camburão estendido, estacionou abruptamente.
A PM do Rio deu mais um show de racismo. Meu sobrinho, um garoto branco, 13 anos de idade, estava com 3 amigos negros, da mesma idade dele, em Ipanema, quando chegou a polícia apontando armas, claro, para os 3 negros. Leiam o relato da minha cunhada e o vídeo da abordagem:
“Uma… pic.twitter.com/X45CKTMzIO
— GugaNoblat (@GugaNoblat) July 4, 2024
Os policiais militares desceram do veículo com armas em punho, apontando-as para os quatro adolescentes que ficaram. Os adolescentes foram colocados de mãos na parede, vasculhados e interrogados pelos policiais.
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“Uma viagem de férias, planejada há meses entre quatro amigos. Com destino ao Rio, quatro adolescentes de 13 e 14 anos, acompanhado dos avós de um deles, experienciaram nas primeiras horas a pior forma de violência. Às 19h, voltando para casa em Ipanema, foram deixar um amigo na porta de casa, na Rua Prudente de Moraes, quando foram abruptamente abordados por policiais militares, armados com fuzis e pistolas, e sem perguntar nada, encostaram os meninos (menores de idade) no muro do condomínio. Três, dos quatro adolescentes, são NEGROS! Com arma na cabeça e sem entender nada, foram violentados. Foram obrigados a tirar casacos, e levantar o ‘saco’. Após a abordagem desproporcional, testemunhada pelo porteiro do prédio, é que foram questionados de onde eram, e o que faziam ali. Os três negros não entenderam a pergunta, porque são estrangeiros, filhos de diplomatas, e portanto não conseguiram responder. Caetano, o menino branco e meu filho, disse que eram de Brasília e que estavam a ‘turismo’. Após ‘perceberem’ o erro, liberaram os meninos, mas antes alertaram as crianças que não andassem na rua, pois seriam abordados novamente! As imagens, os testemunhos e o relato das crianças são claros!! Não há dúvida!!“, disse Rhaiana Rondon.
O incidente foi reportado ao Itamaraty e aos consulados do Canadá, Gabão e Burkina Faso, países de origem dos três jovens negros.
Em resposta ao incidente, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro emitiu uma nota oficial. “Os policiais envolvidos na ação portavam câmeras corporais e as imagens serão analisadas para constatar se houve algum excesso por parte dos agentes. Em todos os cursos de formação, a Secretaria de Estado de Polícia Militar insere nas grades curriculares como prioridade absoluta disciplinas como Direitos Humanos, Ética, Direito Constitucional e Leis Especiais para as praças e oficiais que integram o efetivo da Corporação“, afirmou a nota.
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