“Saiu com o pai para fazer um empréstimo”, diz delegado sobre homem flagrado com cadáver em cadeira de rodas no Centro de Manaus
O homem alegou a polícia que está desempregado e cuida do pai há cinco meses.
Notícias policiais – “Ele disse que saiu com o pai por volta de 12h30 para fazer um empréstimo bancário”. A declaração é do delegado Adanor Porto, adjunto da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), e resume um dos casos mais chocantes registradas neste sábado (7), no Centro de Manaus. Um homem foi levado para a delegacia após ser flagrado empurrando o corpo do próprio pai, já morto, em uma cadeira de rodas pela movimentada Avenida Eduardo Ribeiro.
Em coletiva de imprensa o delegado, afirmou que o homem contou em depoimento que a intenção era conseguir um empréstimo em nome do pai, aposentado pelo INSS, para comprar comida, produtos de higiene e outros itens de necessidade básica. Ele alegou ainda que está desempregado e cuida do pai há cinco meses, vivendo ambos em situação de vulnerabilidade.
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“Segundo ele, eles estavam passando por muitas dificuldades financeiras. O pai recebia um benefício pequeno e, sem conseguir emprego, ele decidiu buscar o empréstimo para suprir as necessidades dos dois”, explicou o delegado.
A explicação, no entanto, não convenceu totalmente as autoridades. Uma perícia foi acionada e ainda não é possível determinar a hora exata da morte do idoso, mas há indícios de que ele já estava morto há algum tempo antes de ser levado para a rua. O corpo apresentava sangramento na perna e arranhões nos braços, mas não foram identificadas lesões que confirmem maus-tratos até o momento.
- Foto: Reprodução
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O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exames para esclarecer a causa e o tempo do óbito. A depender do resultado, o homem poderá ser investigado por vilipêndio de cadáver e tentativa de estelionato, caso se comprove que houve tentativa de uso do corpo para fins financeiros.
“Se for comprovado que ele sabia da morte e ainda assim levou o corpo para uma agência bancária, isso pode configurar crimes sérios. O inquérito já está sendo instaurado”, afirmou o delegado.
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Outro filho do idoso compareceu à delegacia e declarou que não via o pai desde novembro do ano passado.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando os materiais colhidos no local. O homem continua na DEHS, onde aguarda a conclusão do procedimento. A decisão sobre sua liberação dependerá do resultado da perícia e da avaliação do delegado responsável.
Caso Tio Paulo
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, sendo comparado por internautas ao episódio conhecido como “caso Tio Paulo”, ocorrido em abril de 2024, no Rio de Janeiro. Na ocasião, uma mulher levou o cadáver do tio a uma agência bancária e tentou sacar R$ 17 mil em empréstimos. O caso terminou com a prisão da suspeita, que responde por tentativa de estelionato e vilipêndio de cadáver.
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