“Tratado como um animal”, diz delegado sobre PM morto pelo próprio filho em Manaus
Em entrevista, delegado detalha brutalidade de crime ocorrido em 2019; assassinato por causa de armas foi descoberto após ação de madrasta

FOTO: AM POST
Resumo
O delegado Ricardo Cunha afirmou que o policial militar da reserva José Moura Maciel foi “tratado como um animal” após ser assassinado pelo próprio filho em Manaus. O corpo da vítima foi encontrado em uma cisterna na Zona Oeste da capital.
Notícias policiais – O delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), afirmou nesta segunda-feira (18) que o policial militar da reserva José Moura Maciel, de 60 anos, foi “tratado como um animal” após ser assassinado pelo próprio filho, Gabriel Maciel, de 33 anos, em Manaus.
O caso veio à tona após o corpo da vítima ser localizado no último sábado (16) dentro de uma cisterna no quintal de uma residência no bairro Nova Esperança, Zona Oeste da capital amazonense. Apesar da descoberta recente, o crime teria ocorrido em setembro de 2019.
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Durante coletiva de imprensa, o delegado classificou o caso como “triste” e “macabro” e destacou a brutalidade do homicídio.
“Tristes, macabros, mas que as forças de segurança conseguiram dar a devida resposta em tempo hábil. Um crime gravíssimo de um filho (…) que assassinou o seu José Moura Maciel, seu pai, de 60 anos na época dos fatos. (…) Esse senhor foi enterrado de cabeça para baixo, dentro de uma cisterna, foi enrolado dentro de uma rede, enfim, tratado como um animal, um filho que trata seu pai como um próprio animal”, declarou Ricardo Cunha.
O assassinato teria sido motivado pelo desejo de Gabriel e de outros envolvidos de ficar com as armas pertencentes ao policial militar.
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Pai ajudava filho com mantimentos e dinheiro
Segundo as investigações conduzidas pela DEHS, José Moura Maciel era o único familiar que ainda mantinha contato e ajudava Gabriel, que enfrentava um quadro severo de dependência química.
De acordo com a polícia, o policial aposentado costumava auxiliar o filho com alimentos e ajuda financeira mensal. Em setembro de 2019, ele teria ido até a residência de Gabriel justamente para entregar mantimentos e dinheiro.
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No entanto, conforme apontam as investigações, o encontro terminou em uma emboscada planejada pelo próprio filho com ajuda de comparsas.
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A motivação exata do assassinato ainda é investigada pela Polícia Civil do Amazonas.
Trabalho hercúleo para resgatar a ossada
Como o crime aconteceu há quase sete anos, o local da ocultação do cadáver acabou virando um terreno abandonado, tomado por matagal, lixo e uma grande quantidade de entulho acumulado. A localização dos restos mortais da vítima exigiu um esforço físico extremo de uma força-tarefa composta por policiais civis, militares e homens do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
As equipes chegaram ao endereço por volta das 7h da manhã de sábado e só conseguiram alcançar e desenterrar a ossada às 17h, totalizando dez horas ininterruptas de escavações e remoção de barreiras. Os delegados classificaram o empenho das equipes como um “trabalho hercúleo”, destacando que nenhum policial abandonou o posto até que o corpo do colega de corporação fosse devidamente recuperado.
Investigação paralela da madrasta
Por se tratar de um policial da reserva que já não possuía inimigos declarados ou histórico de desavenças, as autoridades trataram o sumiço de José Moura, inicialmente, como um caso padrão de desaparecimento. O inquérito corria sob a responsabilidade de outra delegacia distrital e acabou estacionando devido à falta de pistas concretas ou testemunhas que indicassem um homicídio.
A reviravolta histórica no caso só aconteceu por conta da determinação da madrasta do suspeito. Vivendo em situação de rua por causa do vício, Gabriel começou a relatar o crime a outros usuários de drogas e pessoas próximas na vizinhança, afirmando abertamente que “havia matado o próprio pai”.
Ao tomar conhecimento desses boatos urbanos, a madrasta iniciou uma busca por conta própria. Ela conseguiu localizar o jovem nas ruas de Manaus, o acolheu e conseguiu convencê-lo a acompanhá-la voluntariamente até a sede da Delegacia de Homicídios. Na delegacia, diante do depoimento dos policiais, Gabriel entrou em contradição e acabou confessando o crime com riqueza de detalhes, embora alegasse não se lembrar de tudo perfeitamente por estar sob o efeito severo de entorpecentes no dia do assassinato.
A justiça converteu a prisão em flagrante de Gabriel Maciel em prisão preventiva durante a audiência de custódia realizada no fim de semana. Ele foi encaminhado para uma unidade prisional do estado, onde permanecerá detido enquanto aguarda o julgamento pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Para a família e os colegas de farda, o sentimento é de dor, mas também de alívio por finalmente poderem dar um enterro digno ao idoso.
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