Alberto Neto ostenta sandália cara ao pedir boicote à Havaianas e é detonado nas redes sociais: “mais elegante”
O deputado publicou um vídeo afirmando que substituiria as Havaianas por uma sandália da Zara que custa mais de R$300.
- Foto: Reprodução
Notícias de política – O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) voltou ao centro de críticas após usar as redes sociais para pedir boicote à Havaianas, motivado por um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres. A reação do parlamentar, que apareceu em vídeo usando uma sandália da Zara avaliada em R$ 309, foi vista por eleitores como mais um episódio de distanciamento da realidade social do Amazonas e de foco excessivo em pautas ideológicas em detrimento de políticas públicas concretas.
A controvérsia teve início após a veiculação de uma campanha publicitária da Havaianas. No vídeo, Fernanda Torres utiliza uma expressão comum no cotidiano brasileiro ao dizer que não deseja que o público “comece 2026 com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”. A frase, de tom leve e figurado, foi interpretada por setores da direita como uma provocação ideológica.
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Parece brincadeira, mas a extrema-direita conseguiu achar uma mensagem subliminar na propaganda da Havaianas.
Segundo eles, dizer que não é pra entrar o ano com o “pé direito” e sim com “os dois pés”.
A guerra cultural não pode acabar.
— William De Lucca (@delucca) December 21, 2025
Alberto Neto aderiu ao coro crítico e anunciou publicamente que deixaria de consumir produtos da marca. Em postagem direta, afirmou: “Não compramos de quem nos ataca. Havaianas fora do nosso armário”.
O episódio ganhou contornos ainda mais delicados quando o deputado publicou um vídeo afirmando que substituiria as Havaianas por uma sandália da Zara, descrita por ele como “muito mais elegante”. O detalhe que inflamou as críticas foi que o preço do calçado é de R$ 309 enquanto que as Havaianas são mais acessíveis com valores a partir de R$29.
“É super barato, chinelos na Zara para todos os amazonenses estarem comprando”, disse uma internauta nas redes sociais. Seguidores apontaram que o valor está longe da realidade da maioria da população do estado, onde grande parte das famílias vive com renda mensal apertada.
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“Sandália de R$ 309 e você falando como se fosse uma Havaiana qualquer”, comentou um internauta. Outro foi direto: “Tá faltando pauta pra trabalhar políticas públicas?”.
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Salário alto e discurso desconectado
As críticas ganharam força quando usuários passaram a relacionar o episódio ao salário do deputado, que recebe R$ 46.366,19 mensais como parlamentar federal. Além disso o político é proprietário de uma fazenda de camarão localizada no município de Caridade, no interior do Ceará, e foi avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão em outubro de 2024, quando o assunto foi publicamente debatido durante sua campanha para prefeito de Manaus.
Para muitos eleitores, o valor ajuda a explicar a naturalidade com que Alberto Neto trata um produto inacessível para boa parte da população.
No Amazonas, onde o custo de vida pesa e a desigualdade social é evidente, a fala foi interpretada como um símbolo de desconexão entre o representante eleito e o cotidiano de quem ele deveria representar.
O episódio reforçou uma crítica recorrente a Alberto Neto: a de que sua atuação parlamentar estaria excessivamente concentrada em pautas ideológicas nacionais, enquanto questões estruturais do Amazonas ficam em segundo plano. Saúde, infraestrutura, segurança e desenvolvimento regional raramente aparecem com o mesmo destaque que embates culturais nas redes sociais.
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